Primeira viagem do bebê – A nossa experiência com Elis

4 meses e 17 dias. Foi o tempo que esperamos para fazer a primeira viagem com a nossa filha, Elis. Escolhemos um destino que já conhecíamos para não ter aquela ansiedade de quem visita um lugar pela primeira vez e também que fosse
relativamente próximo de onde moramos para que pudéssemos fazer uma viagem curta. Então, decidimos pela Pousada Pedra Grande, que fica no município de Monte das Gameleiras, a 142 km de Natal-RN. Essa é uma bonita região serrana do Rio Grande do Norte, que faz divisa com a Paraíba, nas proximidades do Parque estadual da Pedra da Boca.

Nossas escolhas

– Idade do bebê: Conheço pessoas que viajam com o bebê desde 1 mês, como a Cláudia Rodrigues do blog Felipe, o Pequeno Viajante. Mas eu não quis fazer nenhum planejamento antes de Elis nascer, de quando viajaríamos com ela. Queria primeiro conhecê-la, saber como ela seria, sua rotina e como eu me adaptaria com a maternidade.

Elis no quarto da Pousada Pedra Grande
Elis no quarto da Pousada Pedra Grande

Essa foi a melhor decisão que tomei. Tive (estou ainda) num puerpério bem intenso, depois que Elis nasceu, perdi a minha avó e tivemos outras questões familiares. Elis no início sofreu muito com as cólicas e não tinha uma boa rotina de sono. Então, se tivéssemos viajado antes com ela, acho que não teria sido tão proveitoso.

Agora, aos 4 meses, ela está bem adaptada à rotina, espertinha toda, observa tudo em sua volta, demonstra interesse pelas coisas e até já está começando a sentar sozinha. Achei uma fase ótima para viajar. Ah! Como ela ainda continua em aleitamento materno exclusivo, não precisei me preocupar com a alimentação.

– O destino: Como falei no início do post, escolhemos um destino que já conhecíamos para que tivéssemos a tranquilidade de apenas aproveitar com Elis e não de querer ficar visitando vários lugares. Também foi um lugar próximo, cerca de 2 horas de carro (ela foi e veio quase todo tempo dormindo na cadeirinha).

Com papai e mamãe aproveitando o pôr do sol
Com papai e mamãe aproveitando o pôr do sol

Decidimos também pela Pousada Pedra Grande porque já conhecíamos a estrutura, o serviço e também gostamos bastante da paisagem da região. Nos meses de inverno, lá costuma fazer um frio bem incomum para o estado.

Para a primeira viagem dela, queria um lugar tranquilo e de natureza. Como ela ainda não está com idade de ir à praia (o recomendável é 6 meses), optamos pela serra.

Também, por ela ainda ser muito bebê não procuramos por uma hospedagem que tivesse atrações específicas para crianças.

Assista ao nosso vídeo da Pousada Pedra Grande:

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Fazendo pose com mamãe
Fazendo pose com mamãe

– O que levar (a mala do bebê): A princípio fiquei meio sem saber o que tanto levar e as quantidades porque normalmente viajamos com pouca bagagem e com criança é mais difícil viajar leve. Porém, acho que consegui levar o mínimo possível. Vejam o que levamos:

2 mantas (levei uma mais quente para o caso de esfriar, mas ela acabou não usando)
2 toalhas de fralda mesmo
4 fraldas piscina (levei as fraldas ecológicas que ela já costuma usar. Mas só usou uma para piscina)
1 biquíni
2 pijamas (passamos duas noites)
2 pares de roupas por dia (usou praticamente todas)
1 casaco de lã (não usou porque não esfriou muito)
3 pares de meias
8 fraldas de pano (usou praticamente todas)
22 fraldas descartáveis (errei feio na quantidade, pois nunca tinha contado quantas ela usa por dia. Ela usou um pouco mais do que a metade do que levamos. Mas nesse caso, melhor sobrar do que faltar, pois lá não teria um lugar muito próximo para comprar).
Carrinho (usamos para colocá-la enquanto fazíamos as refeições)
Piscininha inflável (como ela ainda tem menos de 6 meses e não é recomendável entrar na piscina com cloro, levamos uma piscininha inflável, que ela adorou)
Brinquedinhos (colocar alguns na cadeirinha do carro) e mordedores

Não levamos berço nem banheira.

Como Elis ainda mama muito na madrugada, fazemos cama compartilhada em parte da noite. Então, ela está acostumada a dormir de cama. Mas levei, um acolchoado do carrinho que tem o formato do corpo e deixou ela mais confortável na cama.

Também ela já tinha tido algumas experiências de banho no chuveiro e, durante a viagem, tomou todos os banhos dessa forma. Mas poderíamos ter usado também a piscininha, se quiséssemos.

Para os bebês que dormem sempre no berço, os pais podem perguntar ao hotel ou pousada se eles oferecem bercinho.

– Dicas e cuidados:

Dormindo no colo do papai, enquanto mamãe aproveitava a piscina
Dormindo no colo do papai, enquanto mamãe aproveitava a piscina

– Antes de viajar, perguntamos ao pediatra se ela estava liberada, se tinha alguma recomendação e ele falou que estava tudo bem. Levamos apenas os medicamentos que ele já havia recomendado em caso de dor, febre, gases e incômodo causado pelos dentes. Além disso, apenas um termômetro.

– Como viajamos de carro, claro, é preciso verificar se está tudo ok com o veículo e obviamente o bebê tem que viajar seguro na cadeirinha. Sempre antes de sair, amamento ela, mas também fizemos paradas no caminho para ela mamar. Pegamos a estrada em horários próximos ao cochilo, então, ela dormiu mais facilmente.

Em viagens de carro com o bebê é recomendável fazer paradas para que ele não fique na mesma posição muito tempo, especialmente, se for mais novinho, quando não tem controle do pescoço e a cabeça faz peso sobre na coluna. E também para amamentar, pois não é seguro amamentar com o carro em movimento.

– Para que o bebê aproveite melhor a viagem, o ideal é seguir com a rotina que ele tem em casa, claro, fazendo as adaptações necessárias. Por exemplo, Elis dorme sempre a cada 2 horas. Então, mantivemos isso, mesmo que algumas vezes não estivéssemos no quarto. Deixávamos ela dormindo no colo mesmo, pois ela não é muito fã do carrinho. Mas para os bebês que são mais acostumados a dormir no carrinho, acredito que seja mais tranquilo ainda.

A nossa experiência

Vendo o pavão no viveiro da pousada
Vendo o pavão no viveiro da pousada

Para viajar com um bebê acho que temos que diminuir as expectativas, desacelerar o ritmo e simplificar a viagem. Flexibilidade é a palavra de ordem porque acho que em primeiro lugar tem que ser o bem estar do bebê.

Elis, no seu primeiro pôr do sol
Elis, no seu primeiro pôr do sol

Por tudo isso, a viagem foi bem mais tranquila do que esperei. Sempre que ela estava incomodada no trajeto do carro, fizemos uma parada, acalmamos ela.

Primeiro banho de piscininha
Primeiro banho de piscininha

Na pousada, ela pareceu se divertir bastante, observando tudo, desde o teto do quarto, a decoração do restaurante, as plantas, animais (lá tem um viveiro de pássaros, pavão, galinhas, porquinhos da índia), tomou banho de piscininha e pisou na grama pela primeira vez, assistiu ao pôr do sol com a gente (o que foi uma vitória, pois ela sempre dorme antes) e até nos acompanhou no jantar (que tinha que ser às 18h para que ela pudesse dormir em seguida).

Elis também adorou ver outras pessoas e foi sempre simpática com quem brincava com ela.

Teve tanto estímulo em dois dias que digo que voltou outro bebê.

A primeira vez pisando na grama
A primeira vez pisando na grama

Acredito que o único incômodo que ela teve foi o calor da tarde, pois nessa época, estava bastante calor e mesmo com o ar condicionado, ela ficou um pouco irritada. Mas nada que não aconteça em casa também.

Ficamos o tempo quase todo na pousada, saímos apenas para visitar a capela de São José, que fica na comunidade vizinha e em um dos dias, almoçamos em outra pousada, Villas da Serra, que fica no município vizinho, Serra de São Bento. Essa também é uma pousada excelente, que fica com vista para o Parque da Pedra da Boca. Aproveitei a piscina de lá (eles aceitam Day Use com consumação mínima de R$ 50 por pessoa), pois na nossa pousada estava em reforma.

Capela São José
Capela São José
Piscina da pousada Villas da Serra
Piscina da pousada Villas da Serra

Assista ao vídeo que fizemos do Parque estadual da Pedra da Boca, filmado da divisa do RN com a Paraíba:

A região toda é muito bonita e tem uns atrativos bem interessantes, mas que já exploramos outras vezes (já escrevi em outros posts) e dessa vez, queríamos mais era descansar e curtir nossa menina.

Foi uma experiência inesquecível, mal posso esperar pela próxima. <3


Day use na Ponta do Pirambu, em Pipa-RN

Pipa tem uma infinidade de opções para o visitante aproveitar muito mais do que um fim de semana. Já morei lá por alguns meses, além de já ter ido inúmeras vezes, e ainda não consegui conhecer a metade. Um dos lugares que só consegui visitar na última vez que fomos e que há muito tempo tinha vontade foi o Ponta do Pirambu Day Use. O lugar é ideal para quem quer passar o dia sossegado, de frente para uma praia praticamente deserta, com um certo conforto.

Piscina de borda infinita na Ponta do Pirambu Day Use
Piscina de borda infinita na Ponta do Pirambu Day Use

A Ponta do Pirambu fica à beira mar na Praia do Giz, em Tibau do Sul. Esta praia é praticamente frequentada apenas pelos clientes da Ponta e do restaurante vizinho. Na maré baixa, quando se formam as piscinas naturais, é uma delícia. A Praia do Giz é também um dos pontos de visualização de golfinhos. Vimos alguns enquanto estivemos lá. Dizem que tartarugas marinhas também podem ser vistas. Na área do Day Use também costumam aparecer saguis e iguanas.

Praia do Giz
Praia do Giz
Com 8 meses de gestação na Ponta do Pirambu
Com 8 meses de gestação na Ponta do Pirambu
"Elevador" da Ponta do Pirambu
“Elevador” da Ponta do Pirambu

O Day Use conta com uma bonita estrutura em meio a natureza, com piscina de borda infinita, espreguiçadeiras, redário, vestiários com duchas, armários com chaves para os clientes guardar seus pertences. O acesso é por escada ou “elevador”, que é na verdade uma estrutura rústica para quem necessita de acessibilidade. Utilizei ele para subir, pois estava com 8 meses de gestação, quando fomos, em maio deste ano.

Restaurante da Ponta do Pirambu
Restaurante da Ponta do Pirambu

O bar e restaurante tem um cardápio de petiscos e pratos de cozinha regional e também internacional à la carte. A apresentação é bem gourmet e os preços são um pouco altos, mas nada muito diferente dos praticados nos restaurantes de Pipa. O cardápio também tem várias opções de drinks e outras bebidas alcoólicas. Além das bebidas não alcoólicas, claro.

Risoto de Funghi
Risoto de Funghi

A Ponta do Pirambu funciona todos os dias das 9h às 17h.  As vagas são limitadas, portanto, é preciso fazer reserva, especialmente, na alta estação. Os contatos são (84) 99924-2146 – WhatsApp e (84) 3246-4333.

Quando visitamos em maio de 2018, custava R$ 60 em dias de semana e R$ 80 nos finais de semana. Esse valor é revertido em consumação de alimentos e bebidas. Crianças até 7 anos são isentas, acima pagam tarifa integral.

Ah! Tem estacionamento privativo e o acesso é em parte por estrada de barro. Veja o mapa: https://goo.gl/maps/DhhT6j2zx9s

Assista ao nosso vídeo na Ponta do Pirambu:

Reserve sua hospedagem em Pipa 

 

 

 


Conheça São Miguel do Gostoso, destino do Rio Grande do Norte que tem se destacado e recebido famosos

São Miguel do Gostoso, a 101 km de Natal-RN, até pouco tempo era um destino que atraía principalmente praticantes de kitesurf e windsurf e potiguares que queriam descansar. Mas nos últimos tempos, a praia, que há um bom tempo já foi descoberta pelos estrangeiros, tem chamado atenção de turistas nacionais, inclusive, famosos. No mês de dezembro, a jornalista Fátima Bernardes e o namorado, o advogado Túlio Gadelha estiveram por lá. E no réveillon, Gostoso foi o destino escolhido por Sasha Meneghel (filha de Xuxa, se é que existe alguém que não sabe) e o namorado, o ator Bruno Montaleone. Mas o que é que São Miguel do Gostoso tem de tão especial para cair no gosto até dos famosos? Vem comigo que eu te conto! =)

Até pouco tempo, São Miguel era um vilarejo de pescadores que atraía apenas praticantes de kitesurf e windsurf
Até pouco tempo, São Miguel era um vilarejo de pescadores que atraía principalmente praticantes de kitesurf e windsurf

Mas antes, senta que lá vem história! A primeira vez que estive em São Miguel do Gostoso foi há mais de 20 anos, eu era criança e meu pai decidiu ir com toda a família, incluindo tios e primos, para essa praia deserta que ficava no litoral norte e nem ele mesmo conhecia. Pense numa viagem looonga. A estrada até Gostoso era de barro e tinha uma tia minha que não passava dos 50 km por hora. haha Chegamos lá, e São Miguel do Gostoso era um vilarejo de pescadores, uma praia deserta com uma imensa faixa de areia. Passamos o dia e quando já estava tarde, nos demos conta de que lá não tinha nem onde dormir (se havia pousada nessa época, deveria ser uma e muito cara)  e já estava tarde demais para voltar. Acabamos dormindo de rede emprestada pelos moradores no alpendre de um restaurante. haha E depois voltamos para passar o próximo Carnaval, já num chalezinho, que na época em que fomos pela primeira vez, estava sendo construído.

Boa parte das praias de São Miguel são quase desertas
Boa parte das praias de São Miguel são quase desertas

O que eu quero mostrar com essa história é que por muito tempo, São Miguel do Gostoso foi um tranquilo vilarejo de pescadores e que aos poucos foi sendo descoberto pelos praticantes de esportes náuticos, devido aos fortes ventos da região. Se você olhar no mapa, Gostoso fica bem aonde o vento faz a curva, na esquina do Rio Grande do Norte e do Brasil.

Com um tempo, a praia foi sendo descoberta por estrangeiros de todo o mundo, que hoje são a maior parte dos donos de pousadas e restaurantes. Portanto, lá é mais fácil de encontrar restaurantes de gastronomia internacional até mesmo do que em Natal.

Mas ao contrário do que foi especulado por muito tempo, São Miguel do Gostoso não se tornou uma nova Pipa e não se tornou um destino badalado. Continua sendo uma praia tranquila para quem quer curtir uma praia sossegado. Talvez por isso, tem atraído a atenção de famosos, em busca de um refúgio para descansar.

O que fazer em Gostoso?

Praia de Tourinhos
Praia de Tourinhos

São Miguel tem várias praias, boa parte delas com uma extensa faixa de areia e você pode caminhar por muito tempo com a praia praticamente deserta. As praias que ficam mais próximas da cidade são a Praia de Santo Cristo, Praia do Cardeiro, que são as mais procuradas por praticantes de kitesurf e windsurf, e as praias da Xêpa e do Maceió. E mais afastadas da área urbana estão a Praia de Tourinhos e do Marco.

A Praia de Tourinhos é uma das melhores para banho, com piscininhas naturais, e a mais bonita de São Miguel. A praia tem umas formações rochosas interessantes, resultado de dunas petrificadas. Inclusive, o nome da praia foi dado porque as formações seriam parecidas com um rebanho de touros. Um fato curioso é que uma das pedras, na maré alta, faz subir um forte jato d´água, conhecido como o “suspiro da baleia”.

Aerogeradores vistos da Praia de Tourinhos
Aerogeradores vistos da Praia de Tourinhos

Também da praia de Tourinhos tem uma bonita vista para os geradores de energia eólica. A praia fica a uns 15 minutos do centrinho de São Miguel e é preciso ir de carro próprio/alugado ou em passeio, por uma estrada de barro. Lá tem algumas barracas com mesas e cadeiras. Mas em outras praias de São Miguel, o serviço de praia é oferecido apenas pelas próprias pousadas.

Já a Praia do Marco tem este nome porque lá foi cravado um dos marcos do descobrimento do Brasil. Aliás, existem várias teorias de que o Brasil foi descoberto pelo litoral do Rio Grande do Norte, mas este é um tema polêmico. O marco original se encontra na Fortaleza dos Reis Magos em Natal. Na praia, hoje, tem apenas uma réplica não muito bem feita.

Museu da Urca do Tubarão
Museu da Urca do Tubarão

Outro lugar interessante em São Miguel e que sempre fazemos uma parada é a Urca do Tubarão, que fica na pista principal, logo na entrada da cidade. A Urca é um misto de pousada, restaurante, cachaçaria e museu. Mas o grande atrativo do lugar é o dono, Edson Nobre, que é uma figura. Enquanto mostra seu museu que tem de tudo, geladeiras antigas, radiolas, discos etc e oferece uma degustação de cachaça, ele conta histórias, piadas, recita poemas. É divertidíssimo!

Fred com o famoso Edson, dono da Urca do Tubarão
Fred com o famoso Edson, dono da Urca do Tubarão

Se tiver tempo para conhecer os arredores de São Miguel do Gostoso, em uma das praias próximas, Perobas, a 45 km, saem passeios para piscinas naturais, que infelizmente, ainda não conheço mas sei que são muito bonitos e, por serem menos procurados do que os de Maracajaú, você tem mais chances de aproveitar o passeio com mais tranquilidade.

Tao Paradise
Tao Paradise

Outro lugar maravilhoso para se conhecer próximo de São Miguel do Gostoso, a menos de 50 km, é o Tao Paradise, um verdadeiro paraíso, como o nome sugere, que fica em meio a um bananal de 25 hectares, às margens da nascente do rio Catolé, que tem águas cristalinas. No local foi montada uma estrutura em estilo indonésio para receber até no máximo 20 visitantes ao dia, em sistema de Day Use. Já escrevi um post sobre o Tao Paradise e tem sido sucesso de visualizações. Leia aqui:

https://compartilheviagens.com.br/tao-paradise-day-use-no-paraiso-de-aguas-cristalinas-a-90km-de-natal-rn/

Onde ficar?

Nosso quarto na Vivenda da Terra
Nosso quarto na Vivenda da Terra

Em São Miguel do Gostoso há várias opções de hospedagem, desde hostels e pousadas mais simples até luxuosas pousadas. Por lá só não tem grandes hotéis, pois não faz o estilo da praia. Os preços não são dos mais baratos. Gostoso é um destino mais caro que Pipa, por exemplo.

Para quem quer pousadas mais econômicas, mas confortáveis recomendo a Pousada Mar de Estrelas e a Pousada Vivenda da Terra. Ambas de frente para o mar.

Quem pode pagar mais e quer uma pousada mais sofisticada, indico a Pousada Spa dos Amores e o Hara Chalés e SPA.

Tem ainda a Pousada Mi Secreto, que foi a escolha de Fátima Bernardes e Túlio em São Miguel.

Onde comer?

Restaurantes na rua principal de São Miguel
Restaurantes na rua principal de São Miguel

A maior parte das pousadas de São Miguel do Gostoso possui também restaurante. Além disso, na praia tem várias opções de restaurantes, que vão desde a culinária regional as mais diversas gastronomias internacionais. A maioria fica na rua principal, a Avenida dos Arrecifes e caminhando por lá, você pode olhar os menus e escolher o que mais lhe agrada. Entre os mais conhecidos estão o Tuk-Tuk, Genesis Resto Bar e a Pizzaria Quintal.


Mártires de Cunhaú e Uruaçu: os novos santos brasileiros são do Rio Grande do Norte

O Brasil, que até hoje só tinha São Frei Galvão, irá ganhar, de uma só vez, 28 novos santos. No próximo domingo, 15 de outubro, o papa Francisco irá canonizar os Mártires de Cunhaú e Uruaçu, vítimas dos massacres comandados pelos holandeses, que ocorreram há mais de 3 séculos nessas duas comunidades no estado do Rio Grande do Norte.

A canonização deverá despertar o turismo religioso no estado, que hoje tem como principal local de peregrinação a estátua de Santa Rita, considerada a maior estátua católica do mundo.

Para escrever este post, entrevistei o padre Júlio, responsável pela causa dos Mártires na Arquidiocese de Natal, que me contou a história dos mártires, os detalhes sobre a canonização e a expectativa do desenvolvimento do turismo religioso no estado.

Também visitamos um dos locais onde aconteceu o massacre e outros monumentos dedicados aos mártires e que já são lugares de visitas de peregrinos e, em breve, devem se tornar importantes atrações turísticas.

O post faz parte de uma blogagem coletiva do grupo de blogueiros “Viajando pelo Nordeste” e foi publicado hoje em homenagem ao Dia do Nordestino. No final do texto, tem também um vídeo.

Imagem dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu no Santuário Chama de Amor
Imagens dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu no Santuário Chama de Amor

FOTO EM DESTAQUE DO POST: Júnior Santos, cedida pela Assessoria de Imprensa de São Gonçalo do Amarante.

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Entrevistando o Padre Júlio
Entrevistando o Padre Júlio

Para entender a história dos massacres de Cunhaú e Uruaçu, primeiro é preciso conhecer o contexto histórico em que aconteceram. Os martírios ocorreram no século 17, período do Brasil colonial, em que parte do Nordeste brasileiro estava sob domínio holandês (dezembro de 1633 a 1654).

A Capitania do Rio Grande, que ia da foz do rio Jaguaribe (Ceará) até a baía da Traição (Paraíba), incluindo o atual Rio Grande do Norte também fazia parte da colônia holandesa no Brasil. Assim como a Capitania de Pernambuco, onde fica a capital do Brasil Holandês, a cidade do Recife.

O engenho de Cunhaú, a 72km de Natal no atual município de Canguaretama, era o grande produtor de açúcar da região, responsável por 70% do que era produzido no Brasil.

Segundo o Padre Júlio, responsável pela causa dos Mártires na Arquidiocese de Natal, o interesse econômico no engenho Cunhaú foi uma das razões que levaram ao massacre. “O governador da colônia holandesa no Brasil, o Conde Maurício de Nassau, que é tido como um grande herói holandês, deixou um legado grande em Recife, com muitas construções, mas no Rio Grande, o interesse era só de exploração, você não vê nada construído pelos holandeses. Pelo contrário, eles tentam tirar o que nós temos, mudam o nome da cidade, o nome do forte pra tirar a conotação católica”, destaca.

Sob o domínio holandês, Natal passou a se chamar Nova Amsterdã e a Fortaleza dos Reis Magos de Castelo de Keulen, em homenagem a um príncipe holandês. “Os holandeses eram calvinistas e tentaram impor essa religião”, explica padre Júlio.

Naquela época, na Capitania do Rio Grande só existiam duas paróquias. A paróquia de Cunhaú e a de Natal, os padres das duas paróquias foram mortos no massacre, juntamente com mais de uma centena de pessoas.

Cunhaú

Capela de Nossa Senhora das Candeias, onde aconteceu o massacre de Cunhaú
Capela de Nossa Senhora das Candeias, onde aconteceu o massacre de Cunhaú

O martírio de Cunhaú aconteceu em 16 de julho 1645, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú. Era um domingo, dia de Nossa Senhora do Carmo e missa estava lotada.

A serviço do governo holandês, o alemão Jacob Rabbi mandou publicar um edital dizendo que após a missa teria um comunicado importante do governo holandês. “As pessoas acreditaram que seria a liberdade religiosa. E a coisa foi tão traiçoeira que não se esperou nem terminar a missa. Quando o padre estava na hora da consagração, Jacob Rabbi, com os índios e os soldados holandês, fecharam as portas e começaram a matar”, conta padre Júlio.

De acordo com padre Júlio, os holandeses davam a oportunidade dos presente na missa, “salvarem a vida”, bastava só que eles dissessem que renunciavam à fé católica e que assumiam a fé calvinista. “Só que as pessoas não aceitaram isso. Disseram que preferiam morrer a perder a fé. O padre André de Soveral exortava a todos que naquele momento fizessem seu exame de consciência, pedissem perdão, foi um espécie de confissão comunitária”, acrescenta.

Em Cunhaú, foram mortas quase 80 pessoas, só se sabe apenas os nomes do padre André de Soveral e do leigo Domingos de Carvalho. Por isso, apenas esses dois mortos no massacre de Cunhaú serão canonizados, juntamente com outras 28 pessoas de Uruaçu. “A igreja não proclama santos se ela não tiver pelo menos uma identificação. Um exemplo é o caso da filha de Antonio Vilela, também morta no massacre. Não se sabe o nome dela, mas se sabe que era a filha de Vilela”, justifica padre Júlio.

Uruaçu

Missa na Capela de Uruaçu, no feriado dos mártires, 3 de outubro. Foto: Assessoria de Imprensa Prefeitura de São Gonçalo
Missa na Capela de Uruaçu, no feriado dos mártires, 3 de outubro. Foto: Júnior Santos, cedida pela Assessoria de Imprensa Prefeitura de São Gonçalo

Depois do massacre em Cunhaú, o Padre Ambrósio Francisco Ferro, que era o pároco de Natal, chamou os fiéis para se refugiarem no Forte dos Reis Magos. “Acreditava-se que os holandeses na capital teriam outra mentalidade, como a gente pensa ainda hoje e, durante 2 meses, eles estiveram seguros. Até que no dia 3 de outubro chegou novamente Jacob Rabbi. Mas você pode perguntar, eles acreditaram na palavra dele? Talvez eles não soubessem quem era, naquele tempo, não tinha foto, não tinha Whatsapp, Facebook para descobrirem quem ele era. Então, chega esse homem lá dizendo que veio em nome do governo holandês para levá-los para um lugar mais seguro, que está sabendo que o forte será invadido. Eles acreditam e entraram nos barcos que navegaram pelo rio Uruaçu”, relata padre Júlio.

Naquela época, Uruaçu não era uma localidade, apenas um rio, ao chegar no local onde hoje existe um monumento aos Mártires, a 30 km de Natal, no atual município de São Gonçalo, Jacob Rabbi mandou todos descerem dos barcos e as pessoas perceberam que se tratava de uma emboscada. “Ele manda todos tirarem as vestes, ficarem de joelhos, e vai perguntando de um a um se querem renunciar a fé católica, os que dizem que sim, são poupados, os que dizem não, são mortos de maneira muito cruel. Crianças são partidas ao meio, outras pessoas têm braços decepados, pernas decepadas, cabeças arrancadas, também as línguas foram arrancadas para que eles não rezassem, não cantassem louvor. Com o padre Ambrósio Ferro fazem coisas terríveis, arrancam a língua e os órgãos genitais, para colocar na boca, no lugar da língua, e atentar contra o pudor do padre”, detalha padre Júlio.

Em Uruaçu, mais de 150 pessoas foram mortas. Também no Forte dos Reis Magos foram mortos João Martins e 7 amigos. “Quando chega a vez dele (João Martins), os soldados dizem que se ele renunciar a fé, não só poupará a vida, como será oficial do exército holandês. E ele disse: Dá-me até vergonha ainda estar vivo quando vejo o sangue dos meus amigos derramado na terra, matem-me logo pelo Cristo. Essa também é uma profissão de fé”.

O padre conta ainda que em Uruaçu, o leigo Mateus Moreira tem o coração arrancado pelas costas. “Eu costumo fazer uma comparação que quando a gente está com a unha do dedo mindinho encravada e bate na quina do guarda roupa, a gente não chama nem o nome de Jesus e diz o que não deve. Mateus Moreira, com o coração arrancado pelas costas, no período que não existia anestesia, diz: ‘louvado seja o Santíssimo Sacramento’. Por isso ele é o padroeiro dos ministros da comunhão eucarística do Brasil”.

Dos 150 mortos em Uruaçu, 28 foram identificados e também serão canonizados. Os novos santos serão chamados da seguinte maneira: André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, presbíteros, Mateus Moreira leigo e seus 27 companheiros no martírio de Cunhaú e Uruaçu.

Dos 30 que serão canonizados, dois não tinham nacionalidade brasileira, o padre Ambrósio Francisco Ferro, que era português e João Navarro, que era francês. Mas ambos moravam na capitania do Rio Grande.

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A canonização será realizada no próximo dia 15 de outubro, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Um grupo de 400 pessoas viajará de Natal para estar presente na celebração no Vaticano.

No último dia 3 de outubro, feriado estadual no Rio Grande do Norte, foram realizadas várias celebrações em homenagem aos mártires, em especial, na Capela dos Mártires, em Uruaçu e no Santuário dos Mártires, no bairro de Nazaré, em Natal.

Após a canonização, no dia 28 de outubro, será realizada uma grande missa de Ação de Graças em Uruaçu, às 16h, presidida pelo núncio apostólico, dom Giovanni D´Aniello, embaixador do papa no Brasil. São esperadas mais de 40 mil pessoas para este dia.

Missa nos Santuário dos Mártires no feriado do dia 3
Missa nos Santuário dos Mártires no feriado do dia 3

Dispensa de milagres

Quando se trata de uma canonização, normalmente, o Vaticano exige dois milagres diferentes: um para a beatificação e outro para a canonização. No caso de mártires, o milagre da beatificação sempre é dispensado, pois considera-se que o milagre é dar a vida pela fé. No caso dos mártires de Cunhaú e Uruaçu foram dispensados os dois milagres.

“Só quem pode fazer a dispensa é o papa. Ele conheceu a história dos nossos mártires pelo Cardeal Cláudio Nunes, que prefeito da congregação para o clero em Roma e foi também arcebispo de São Paulo, e segundo o próprio papa, foi ele que sugeriu o nome Francisco, quando na hora do anúncio da escolha do papa, ele estava sentado ao lado dele.
O papa pediu que a congregação para a causa dos santos, apressasse os estudos para acelerar a canonização, mas faltava o milagre. O papa Francisco chegou à conclusão que o maior milagre teria sido passar 3 séculos dessa história e não ter se apagado no tempo”, afirma padre Júlio.

Mas, segundo ele, depois do anúncio da canonização já foram recebidos 3 milagres: dois em Natal e um no Rio de Janeiro.

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A canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu dará novo ânimo ao turismo religioso no Rio Grande do Norte, que tem como um dos lugares mais visitados a Santa Rita, que fica no município de Santa Cruz, a 115 km de Natal, e é considerada a maior estátua católica do mundo.

Capela Nossa Senhora das Candeias

A capela onde aconteceu o massacre de Cunhaú há mais de 372 anos, ainda se mantém de pé e está aberta à visitação. A igreja fica dentro do Engenho Cunhaú, que, mesmo sendo uma propriedade particular, está aberta aos visitantes.

Na Capela Nossa Senhora das Candeias (foto acima) tem missas todos os domingos, às 10h30, exceto no primeiro domingo do mês, que a missa é celebrada às 10h, no Santuário Chama de Amor, que fica na entrada do engenho. Na frente do santuário tem também um monumento em homenagem aos mártires.

Imagens dos mártires no Santuário Chama de Amor
Imagens dos mártires no Santuário Chama de Amor

A capela tem recebido caravanas de outros estados, visitas escolares e visitantes até de outros países. Também lá tem um historiador, que, de segunda à sexta, das 8h às 12h e das 14h às 17h, oferece visita guiada gratuita. Basta agendar no telefone da secretaria da paróquia: (84) 3241-2577.

Uruaçu

Capela de Uruaçu. Foto: Wendell Jefferson, cedida pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura de São Gonçalo
Capela de Uruaçu. Foto: Wendell Jefferson, cedida pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura de São Gonçalo

Em Uruaçu existe um Monumento em homenagem aos Mártires e uma Capela, inaugurado no ano 2000, onde são realizadas grandes celebrações no feriado do dia 03 de outubro.

O monumento e a capela ficam no município de São Gonçalo, a cerca de 30 km de Natal e estão abertos à vista, diariamente, até anoitecer (exceto festividades). As missas são realizadas todos os domingos, às 10h, com padres diversos, na capelinha dentro do monumento.

A Prefeitura de São Gonçalo informou, através de sua assessoria de imprensa, que jovens estão sendo treinados para trabalhar como guias após a santificação.

Na missa do dia 3 de outubro, Uruaçu recebeu mais de 30 mil fiéis. E são esperados 40 mil para o dia 28 de outubro.

Santuário dos Mártires

Santuário dos Mártires em Natal
Santuário dos Mártires em Natal

Em Natal, no bairro de Nossa Senhora de Nazaré, fica o Santuário dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, uma igreja grandiosa, com capacidade para 1.200 pessoas sentadas. As missas são celebradas de terça à sexta, às 19h, e aos domingos, às 7h e às 17h. O funcionamento da secretaria paroquial, de segunda à sexta, das 8h às 11h e das 14h às 17h.

Missa nos Santuário dos Mártires no feriado do dia 3
Missa nos Santuário dos Mártires no feriado do dia 3

Avenida Miguel Castro, 1002 – N. Srª Nazaré
(84) 3646.3189
http://psmartires.com.br/

Continue lendo este post para ver o vídeo que fizemos da entrevista com o padre Júlio:


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Rio Grande do Norte: conheça o misterioso Castelo Zé dos Montes, a 120 km de Natal

Quando vocês pensam nas atrações turísticas do Rio Grande do Norte, o que vem a cabeça? Aposto que praia, dunas, lagoas… mas provavelmente nunca imaginaram que poderiam visitar castelos também, né? No post sobre o município de Carnaúba dos Dantas, já apresentei a vocês o Castelo de Bivar, construído por um morador carnaubense inspirado em um filme épico. Mas este não é o único do RN. Mais próximo de Natal, a 120 km, no município de Sítio Novo (de 5,3 mil habitantes), está o Castelo Zé dos Montes, construído por José Antônio Barreto, em razão de uma visão, que teve ainda quando criança. O castelo está aberto a visitação nos fins de semana e é um passeio bem interessante.

Castelo Zé dos Montes
Castelo Zé dos Montes

José Antônio, conhecido como Zé dos Montes, era criança quando teve uma visão no município de Pedro Avelino, onde nasceu. Era uma aparição de Nossa Senhora que teria dito a ele para construir uma igreja. As visões se repetiram ao longo da vida dele, chegando a acontecer 13 vezes.

O castelo não tem um estilo definido, mas lembra construções mouras
O castelo não tem um estilo definido, mas lembra construções mouras

Quando adulto, Zé dos Montes, que é militar aposentado, começou a construir os castelos pelo Nordeste. Comprou diversos terrenos e começou várias construções. A quantidade de construções e onde foram feitas é um mistério até hoje.

O interior do castelo tem vários labirintos
O interior do castelo tem vários labirintos

Foi em 1984, que Zé dos Montes começou a construir o castelo de Sítio Novo. O terreno fica a 400 metros de altitude e oferece uma vista muito bonita da paisagem da região, que tem bastante formação rochosa e vegetação.

Recado dado
Recado dado

A construção levou 25 anos e, por dentro, ainda não está completamente pronta. Zé dos Montes sempre construiu tudo com ideias da cabeça dele, por isso, o castelo não tem um estilo muito definido, apesar de lembrar construções de arquitetura mourisca. Também não se sabe quanto foi investido na construção, que foi erguida por Zé dos Montes com ajuda de pedreiros contratados por ele.

Capela dentro do castelo Zé dos Montes
Capela dentro do castelo Zé dos Montes

Mas se nas visões Nossa Senhora mandava construir uma igreja, por que ele construiu um castelo? Isso também não se sabe exatamente, pois Zé dos Montes gosta de fazer mistério, mas dentro do castelo tem vários espaços que seriam como capelas. E Zé dos Montes parece ser mesmo fã de castelos, pois em Natal, ele vive em outro castelo que construiu, que fica no bairro das Quintas.

Toda essa história quem me contou foi o filho dele, Joseildo Gomes, que é quem administra a visitação turística do castelo hoje. Segundo o filho, Zé dos Montes não gosta muito da ideia do seu castelo ser atração turística e começou a cobrar entrada justamente como uma solução para evitar os visitantes indesejados, que entravam no terreno sem autorização. “Ele pensava que ninguém ia querer pagar para entrar”, me contou o Joseildo.

Interior do Castelo
Interior do Castelo

Atualmente, o Castelo Zé dos Montes recebe visitantes não só do RN, mas de todo o Brasil e exterior. “Hoje, por exemplo, recebemos turistas da Suíça e da Alemanha”, me disse no dia em que visitamos o castelo, em julho deste ano.

A parte de dentro do castelo é bem rústica, com piso de areia, e boa parte da construção é um labirinto, com partes muito estreitas que podem causar desespero em quem sofre de claustrofobia. Mas é uma visita divertida, especialmente, na companhia de crianças. Lá do alto do castelo, temos de recompensa uma bela vista.

Vista do topo do castelo
Vista do topo do castelo
Vista de uma das janelas
Vista de uma das janelas

O castelo também é muito procurado para ensaios fotográficos, que precisam ser agendados. Para as visitas turísticas, o castelo está aberto aos sábados, domingos e feriados, das 8h às 17h. A entrada é R$ 10 por pessoa. Lá também funciona um restaurante, com opções de almoço e lanches.

Contato:

(84) 98751-8972 (Joseildo Gomes)

Pulando com os sobrinhos
Pulando com os sobrinhos

Carnaúba dos Dantas (RN) – Sítio Arqueológico Xique-Xique, Monte do Galo e Castelo de Bivar

Carnaúba dos Dantas, a 219km de Natal, na região do Seridó do Rio Grande do Norte, é um município pequeno, com apenas 8 mil habitantes, mas cheio de atrativos turísticos. Entre eles estão o sítio arqueológico Xique-xique, com pinturas rupestres estimadas em 9 mil anos; o Monte do Galo, lugar que atrai romeiros de todo o Brasil, e o Castelo de Bivar. Tanto potencial ainda é pouco aproveitado e o município ainda não recebe tantos turistas quanto deveria, mas aos poucos vai sendo descoberto por turistas locais, nacionais e até mesmo estrangeiros.

Castelo de Bivar (esquerda), sítio Xique-xique no centro e Monte do Galo (direita)
Castelo de Bivar (esquerda), sítio Xique-xique no centro e Monte do Galo (direita)

Nós visitamos Carnaúba dos Dantas, durante nossa viagem pelo RN com os nossos sobrinhos, que incluiu também o sítio arqueológico do Lajedo Soledade, em Apodi; a cidade de Martins e o Castelo Zé dos Montes, em Sítio Novo.

Como chegar

Onde ficar

Nós não nos hospedamos em Carnaúba dos Dantas, pois estávamos em uma viagem que incluiu outros destinos. Mas existem duas opções de pousadas na cidade, Maria Bonita (Mirna – 84 98798-7738) e Carnaúba ( Edilza – 84 8700-2540).

Sítio Arqueológico Xique-Xique

Para visitar os sítios arqueológicos Xique-xique, agendamos antecipadamente com o guia Carlinhos (Damião Carlos Dantas), que nos levou também ao Monte do Galo. Encontramos com Carlinhos no centro da cidade e de lá seguimos de carro para a fazenda Xique-xique, onde estão os sítios arqueológicos.

Nosso guia Carlinhos
Nosso guia Carlinhos

A entrada é de R$ 5 por pessoa, além da taxa do guia que foi de R$ 100 pelo grupo e todo o passeio que durou em torno de 4h.

No caminho para o sítio Xique-xique 1
No caminho para o sítio Xique-xique 1

Os sítios Xique-Xique foram registrados em 1924, pelo carnaubense, José de Azevedo Dantas. Mas só em 1961 foi declarado Patrimônio Cultural Nacional, estando protegido por lei. Com isso, a destruição das pinturas ou remoção de qualquer material do local, passou a constituir crime, com pena de multa ou detenção.

Sítio Xique-xique 1
Sítio Xique-xique 1

Segundo Carlinhos nos explicou as pinturas dos sítios Xique-xique teriam aproximadamente 9 mil anos e fazem parte da chamada tradição Nordeste, sub tradição Seridó. As pinturas do sítio arqueológico que visitamos no Lajedo Soledade são de outra tradição, chamada de Agreste, e estima-se que tenham cerca de 5 a 6 mil anos. “Quando a gente fala em pinturas rupestres não estamos falando dos índios que estiveram aqui no período do descobrimento do Brasil ou no período da chamada Guerra dos Bárbaros. Mas estamos falando dos ancestrais desses povos”, nos esclareceu o guia.

Pinturas rupestres no Xique-xique 1
Pinturas rupestres no Xique-xique 1

Pinturas rupestres no Xique-xique 1
Pinturas rupestres no Xique-xique 1

Pinturas rupestres no Xique-xique 1
Pinturas rupestres no Xique-xique 1

As pinturas dos sítios Xique-xique representam animais, plantas e figuras humanas, algumas delas com ornamentos, como cocares, armas, máscaras e outros instrumentos. As imagens compõem cenas de rituais, caçadas, e outras atividades da vida cotidiana. “Os principais temas dos painéis são dança, caça, luta e sexo. Isso nos painéis que são bem definidos. Mas também temos painéis de grafismos puros, que são pinturas abstratas, que não sabemos o significado”, nos contou Carlinhos.

As pinturas foram feitas no Quartzito, rocha predominante na região, usando óxido de ferro (conhecido como pedra tauá ou limonito) para as cores vermelha e amarela, caulim envelhecido para a cor branca e carvão vegetal para o preto. “O óxido de ferro usado para o vermelho e amarelo é o pigmento mais comum e também foi usado em pinturas rupestres em outras partes do mundo”, ressaltou Carlinhos.

Pinturas no Xique-xique 2
Pinturas no Xique-xique 2

Nos sítios Xique-xique também tem petroglifos, que são gravuras esculpidas na rocha, chamadas de Itaquatiara, na língua tupi guarani.

Carlinhos nos explicou que pela facilidade de acesso e preservação das pinturas, os sítios Xique-xique estão os principais deste tipo de tradição. As imagens são bem diferentes das que vimos no Lajedo Soledade, por isso, vale a pena visitar os dois.

Com os nossos sobrinhos no Xique-xique 2
Com os nossos sobrinhos no Xique-xique 2

O guia também nos contou que os povos que fizeram as pinturas não habitavam o lugar. “Eles vinham principalmente para ter uma visão privilegiada, um ponto estratégico de defesa e retratavam o cotidiano. Nas pinturas vemos araras, macacos, capivaras. O que mostra que tínhamos uma biodiversidade completamente diferente, que foi transformada pela ação do homem, inclusive, tínhamos aqui um rio perene que já não existe mais”.

Após o desaparecimento dos povos que habitaram a região do Seridó no período pré-histórico, as pinturas ficaram esquecidas por anos e anos, até serem registradas por José Dantas. Quando tornou-se Patrimônio Cultural ficou sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), autarquia do governo federal. Para o local estar apto para receber visitas turísticas foram construídas escadarias, pontos de apoio, murais explicativos e passarelas. Também são feitas ações de controle de insetos, plantas e outros elementos que interferem na preservação das pinturas.

Nós visitamos os sítios Xique-Xique 1 e 2, que são os mais acessíveis e também mais importantes. O Xique-Xique 4 também é de fácil acesso, mas estávamos com pouco tempo para fazer a visita. As pinturas são impressionantes pelos detalhes. No Xique-Xique 1, a quantidade delas é enorme. Os nossos sobrinhos também adoraram a visita, que pode ser feita por pessoas de qualquer idade, desde que tenha condições de subir as escadas e fazer a caminhada.

Castelo de Bivar (ou Di Bivar)

Castelo de Bivar
Castelo de Bivar

No caminho entre o sítio Xique-xique e o Monte do Galo, passamos pelo Castelo de Bivar. Construído em 1984, pelo carnaubense José Ronilson Dantas, o castelo está fechado há alguns anos para visitas porque está em reforma. Mas paramos para fazer uma foto do lado de fora da cerca, que tem um aviso bem claro para não entrar na propriedade.

O castelo tem inspiração medieval e foi construído por José Ronilson com a ideia de ser sua residência, inspirado no filme El Cid, de 1961, que segundo a Wikipedia, conta a história romanceada da vida do cristão e maior herói do Reino de Castela o cavaleiro Don Rodrigo Díaz de Bivar, chamado de “El Cid” (do árabe as-Sidi, que significa “O Senhor”).

O castelo está fechado para visitas
O castelo está fechado para visitas

Uma pena o castelo está fechado, pois se estivesse aberto para visitas, poderia atrair ainda mais turistas para o pequeno município de Carnaúba dos Dantas.

Monte do Galo

Monte do Galo
Monte do Galo

A maior parte dos visitantes que Carnaúba dos Dantas é de romeiros que vão pagar promessa para Nossa Senhora das Vitórias, subindo o Monte do Galo, que tem 155 metros de altura.

A subida ao Monte é de cerca de 800 metros, passando pelas 12 estações, que representação a Via Sacra de Cristo, construída pelas famílias da cidade. Lá no alto do monte, tem a igreja de Nossa Senhora das Vitórias, a sala dos ex-votos, onde as pessoas vão pagar suas promessas, a estátua do galo e o cruzeiro. Além de uma bonita vista para o planalto da Borborema e para a cidade de Carnaúba dos Dantas.

Subida para o Monte do Galo
Subida para o Monte do Galo

De acordo com Carlinhos, o Monte é um lugar místico e ele mesmo conta que já teve uma experiência espiritual lá. “Eu estava no alto do Monte, próximo ao galo, quando vi uma mulher de azul, entrar na capela. Quando desci para conversar com ela, não tinha ninguém. Uma mulher se dirigiu à capela, vestida de azul, e quando desci, não tinha mais ninguém na capela. Meus cabelos ficaram todos arrepiados”, conta.

Capela Nossa Senhora das Vitórias, Monte do Galo
Capela Nossa Senhora das Vitórias, Monte do Galo

A história do Monte do Galo começou no século 19. Antes, a colina se chamava Serrote Grande até que o fazendeiro da região Antônio Dantas e seus funcionários ouviram o cantar do galo, no alto do monte. Em 1928, a população construiu uma estátua do galo para lembrar a história.

Sala do Ex-votos
Sala do Ex-votos

No mesmo ano, outro carnaubense, Pedro Alberto Dantas, doou uma imagem de Nossa Senhora das Vitórias para o Cruzeiro, construído pela Igreja no alto do Monte do Galo. A imagem foi trazida por ele do Pará, onde Pedro trabalhava durante os anos do Ciclo da Borracha, após ter sido curado de beribéri, uma doença causada pela deficiência de vitamina B1, que pode ter como sintomas cãibras musculares, visão dupla e confusão mental.

Segundo nos contou Carlinhos, Pedro, que estava entre a vida e a morte, quando viu uma a aparição de uma mulher com manto azul e rosa que dizia ser Nossa Senhora das Vitórias. Pedro ficou curado e resolveu voltar para Carnaúba, trazendo uma imagem de Nossa Senhora das Vitórias.

Com os nossos sobrinhos, vista do Monte do Galo
Com os nossos sobrinhos, vista do Monte do Galo

A história do município

Como vocês perceberam todo mundo no município tem o sobrenome Dantas. Carnaúba dos Dantas foi criado no ano de 1953, tendo sido desmembrado do município de Acari. O nome da do município faz referência a este tipo de palmeira, que é abundante na região, e a família Dantas, proprietária das fazendas que existiam onde hoje é o município.

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Serra de Martins: destino para aproveitar o inverno no Rio Grande do Norte

É difícil de acreditar, mas existe inverno no Rio Grande do Norte. Tá bom, o que a gente chama de frio é uns 20 poucos graus com um ventinho gelado. Mas, como normalmente chove no litoral entre junho e agosto, essa é a melhor época para conhecer o interior do estado, especialmente, as cidades serranas. Serra de Martins é a mais conhecida delas. A 362 km de Natal, mais ou menos 5h de carro, Martins é o destino ideal para aproveitar o inverno no RN. Com belas paisagens, cavernas, cachoeira, mirantes, Martins também realiza um dos festivais gastronômicos mais famosos do estado.

Estrada para Martins
Estrada para Martins

Conhecida como a “Princesa Serrana”, Martins está a 703 metros acima do nível do mar, por isso, tem uma temperatura mais amena que as demais cidades da região. Entre junho e setembro, a temperatura mínima pode chegar a uns 16 ou 17 graus. O que acreditem é muito frio para os padrões do interior do Rio Grande Norte.

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Lajedo Soledade (Rio Grande do Norte): sítio arqueológico e pinturas rupestres – onde o sertão já foi mar

Na cidade de Apodi, no sertão do Rio Grande do Norte, a 340 km de Natal, fica o Lajedo Soledade, uma área de aproximadamente 2km2, que há aproximadamente 90 milhões, já foi fundo do mar. O Lajedo é um sítio arqueológico que guarda pinturas rupestres que teriam entre 3 a 5 mil anos e fósseis de animais da Era Glacial. Nós visitamos o Lajedo Soledade, em uma viagem que fizemos pelo RN, com os nossos sobrinhos, e tanto nós quanto eles ficamos impressionados com a quantidade de pinturas e como elas estão bem conservadas.

O Lajedo Soledade já foi fundo do mar há 90 milhões de anos, aproximadamente
O Lajedo Soledade já foi fundo do mar há 90 milhões de anos, aproximadamente

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