A Isla Ometepe, na Nicarágua, é um daqueles lugares que é preciso conhecer antes que desapareça do mapa ou mude completamente. A ilha é completamente peculiar. Formada por dois vulcões ativos, fica dentro do Lago Nicarágua ou Cocibolca, que é o segundo maior da América Latina, sendo um pouco menor que o Titicaca (Bolívia e Peru). Esse paraíso nicaraguense está sob ameaça devido ao projeto do Canal da Nicarágua, uma obra faraônica que passará pela ilha.

Mirante do Vulcão Maderas
Mirante do Vulcão Maderas

Quando estivemos na Isla Ometepe, os nativos conversaram com a gente sobre o canal e diziam que a obra colocava em risco tudo: o meio ambiente, a economia local que é baseada na agricultura e pesca; o abastecimento de água; a tradição e cultura deles, pois a Isla Ometepe é habitada desde 2 mil a.C (estima-se) e guarda alguns vestígios dos povos antigos em petróglifos.

Mas, antes que o local, mude completamente em nome do “desenvolvimento”, saiba como conhecê-lo e o que fazer na ilha:

Como chegar

A cidade base para conhecer a Isla Ometepe é Rivas. É possível chegar lá de ônibus ou táxi fretado a partir de outros destinos turísticos da Nicarágua, como Granada e San Juan del Sur. Nós fomos até Rivas, a partir de Monteverde, na Costa Rica. Fizemos a travessia da fronteira da Costa Rica até a Nicarágua pela empresa Tica Bus.

Chegando em Rivas é preciso pegar um táxi ou um tuk tuk até o porto e de lá pegar o barco para a Isla Ometepe.

Onde ficar

A ilha tem 31 km de cumprimento e entre 5 a 10 km de largura. Existem vários vilarejos na vila, com opções de hospedagem. Os mais conhecidos são Moyogalpa, onde fica o porto e o maior centrinho; Altagracia, Merida, Santo Domingo e Santa Cruz.

Praia de Santo Domingo, vista para o vulcão MaderasPraia de Santo Domingo, vista para o vulcão Maderas
Praia de Santo Domingo, vista para o vulcão Maderas

Nós ficamos no Casa Hotel Istiam, que fica em frente as praias de Santo Domingo, uma das mais bonitas da ilha.

Veja outras opções de hospedagem na Isla Ometepe

O vilarejo é muito tranquilo, sem nenhum agito, e tem algumas opções de restaurantes, inclusive, a própria Casa Istiam. Mas é tudo muito simples.

O que fazer

Apesar de não ser tão grande, a Isla Ometepe tem muito o que fazer, por isso, é recomendável ficar pelo menos duas noites na ilha.

Escalar o vulcão Maderas (1394m) e ver o lago na cratera é um dos principais programas e leva um dia todo. É importante ir acompanhado de guia. Para quem não tem tanta disposição, quanto nós, é possível escalar até o mirante e ter essa vista incrível da foto abaixo.

Vulcão Concepción visto do vulcão Maderas
Vulcão Concepción visto do vulcão Maderas

A caminhada até o mirante é bem tranquila e dá para fazer em algumas horas, sem precisar de guia. Nessa trilha, encontramos alguns petróglifos.

Trilha do vulcão Maderas
Trilha do vulcão Maderas
Petróglifo
Petróglifo

Do outro lado do vulcão Maderas tem também uma trilha que leva até uma cachoeira.

Cachoeira do vulcão Maderas
Cachoeira do vulcão Maderas
Macaco na trilha do vulcão Maderas
Macaco na trilha da cachoeira
Papagaio na trilha da cachoeira
Papagaio na trilha da cachoeira

O vulcão Concepción (1610m) também pode ser escalado, preferencialmente com acompanhamento de guia, e a trilha exige mais preparo.

No rio Istiam é possível fazer passeio de caiaque. E os hotéis também oferecem alguns passeios a cavalo.

Um lugar que também vale a visita é o Ojo de Agua, uma olho d´água que foi transformada em piscina. Funciona como um clube.

Ojo de Agua
Ojo de Agua

Na ilha tem também alguns museus como El Ceibo e Ometepe, mas não visitamos.

As praias de água doce é, claro, são um dos principais atrativos da ilha. A de Santo Domingo, como disse, é uma das mais bonitas, pois tem vista para os dois vulcões.

Mas, atenção, o Lago Nicarágua é o único do mundo a ter uma espécie de tubarão de água doce, o tubarão-touro, considerado um dos mais agressivos. Eles ficam do lado da ilha que tem águas mais profundas. Por isso, é bom perguntar aos nativos onde é possível tomar banho, sem correr riscos.


Comentários

  • Douglas Henrique da Fonseca

    Muito bom o post! Li muitos relatos de vocês e o que mais gostei foi a maneira que vocês tem para ver o mundo, no caso desse texto, a melhor frase foi:

    Mas, antes que o local, mude completamente em nome do “DESENVOLVIMENTO”

    Também penso desse jeito, e são visões que temos ao sentir de verdade o que o mundo é, quando passamos a enxerga-lo de fora para dentro, e não de dentro pra fora

    Então parabéns de verdade pelos posts! ;D

  • Oi, Douglas! Muito obrigada pelo seu comentário.Viajar, de certa forma, faz a gente enxergando o mundo de outra maneira. =)