Olá viajantes,

Dizem que Praga é uma das cidades europeias mais lindas. Conhecida como “Pérola do Oriente”, a capital da República Tcheca tem sido cada vez mais procurada por turistas e possui um dos mais belos e conservados patrimônios arquitetônicos da Europa, mesmo tendo sido testemunha das duas grandes guerras mundiais. Após a queda do comunismo, Praga vive um renascimento cultural. 

E é esta linda cidade que vamos conhecer hoje com o relato da jornalista Renata Moura, editora e blogueira de Economia do jornal potiguar Tribuna do Norte.

Hezký výlet!

Praga, República Tcheca, por Renata Moura

O cenário é medieval. Diante de uma porta grande de madeira, o homem surge. Calças, botas, uma espécie de túnica por cima e uma capa. Na cintura, um cinto. E…uma ESPADA.

O cavaleiro era o guardião de um prédio qualquer, que como muitos outros incorporam o personagem para ganhar a vida, numa terra de sonhos chamada Praga.

Um dos cavaleiros que encontramos pelo caminho.
Um dos cavaleiros que encontramos pelo caminho...

A capital da República Tcheca foi o ponto final de uma pequena “Eurotrip” em que embarquei em janeiro deste ano com meu marido, Ricky.

Cheguei à cidade de ônibus. Desembarquei após dias maravilhosos em Paris, com passagens relâmpago por Versalhes, Reims (ambas na França), Heidelberg, Nuremberg e Frankfurt, na Alemanha.

Quilômetros depois, chegamos a Praga. Nos hospedamos em um ótimo hotel, chamado Barceló Praha. O jantar, lá mesmo, oferecia algumas das delícias da cidade. Entre elas, sopas de entrada, salsichas e tortas de frutas.

Sopa de cebolas...uma delícia!
Sopa de cebolas...uma delícia!
Prato típico, feito à base de carne
Prato típico, feito à base de carne

No dia seguinte, excursão. Passamos por dentro da área não turística da cidade e fiquei um pouco decepcionada. Nada demais saltava aos olhos. Mas, na Cidade velha, onde está o centro, fiquei encantada.

A cidade estava linda, fria e cinza. Era inverno.

Estávamos nós, lá, passando o maior frio de nossas vidas, narizes anestesiados, mãos queimando, orelhas idem, temperatura abaixo de zero, mas felizes.

Temperatura abaixo de zero e neve em janeiro
Temperatura abaixo de zero e neve em janeiro

A cidade nos encantou com dezenas de lojas de marionetes bem típicas, construções, figurinos medievais, o relógio astronômico, a Ponte Carlos, o Castelo de Praga, a Catedral de São Vito (fica dentro do Castelo e lembra muita as Notre Dames de Reims e Paris)…

Uma das muitas lojas de marionetes em Praga
Uma das muitas lojas de marionetes em Praga

 

Relógio Astronômico
Relógio Astronômico
Ricky e Renata na Ponte Carlos
Ricky e Renata na Ponte Carlos
Estátua, na Ponte Carlos
Estátua, na Ponte Carlos
Troca da guarda no castelo de Praga
Troca da guarda no castelo de Praga
Catedral de São Vito
Catedral de São Vito

Praga também nos esquentou, em meio aquele frio todo, com “hot chocolates”, hot wines e salsichas vendidas em pequenos quiosques na rua. Nos ofereceu transporte rápido e barato por meio de um sistema de metrôs super moderno (mais que o de Paris, menos que o de Berlim, por exemplo).

Vista de Praga
Vista de Praga

Para quem gosta de cerveja, a cidade é o paraíso. A oferta é grande e os preços baixos. Como acho essa bebida a pior do mundo, dou a dica baseada nas experiências do marido =)

Ricky descobrindo novas cervejas
Ricky descobrindo novas cervejas

Bom, mas há outras opções de bebida. Há, por exemplo, um drink típico chamado Grog e a super tradicional Becherovka, um licor que esquenta até a alma. Trouxemos garrafas e mais garrafas para presentear o pessoal por aqui.

Por falar em compras, viajar em janeiro é uma mão na roda para quem quer comprar. É período de grandes promoções, pelo menos nas cidades francesas, tchecas e alemãs que visitamos. Uma maravilha para comprar bons casacos e outras peças de inverno. Os sapatos/botas, entretanto, são caríssimos em todo canto.

Museu de cera mostra parte da história medieval da cidade
Museu de cera mostra parte da história medieval da cidade
Museu de cera
Museu de cera
Bobo da corte, no museu de cera
Bobo da corte, no museu de cera

MOEDA

Importante para quem planeja visitar a cidade é o câmbio. Na área turística o Euro é aceito na maior parte dos estabelecimentos, mas a moeda do país, a Coroa Tcheca (Koruna), sempre deve estar na carteira. Só com ela conseguimos fazer compras nos supermercados e comprar os tickets do metrô, por exemplo.

A Koruna é desvalorizada em relação ao Euro, o que acaba tornando o custo de vida em Praga mais baixo do que em outras cidades europeias.

Quando chegamos a cidade tínhamos apenas Euros. Deixamos para fazer o câmbio lá mesmo. E aqui vem mais uma dica: fujam das casas de câmbio azuis. Elas cobram comissão em cima da operação. As amarelas são mais recomendadas porque não oferecem esse custo. Não é difícil encontrá-las. Estão presentes praticamente em todas as esquinas.

Outra dica: façam um Visa Travel Money. Funciona como cartão de débito. Fizemos o nosso em Natal, no Banco do Brasil. Não lembro quanto custou, mas valeu a pena.

No cartão, tínhamos a maior parte do dinheiro que levamos para a viagem. Ele foi aceito em praticamente todos os estabelecimentos – inclusive em Praga. Mas, claro, sempre tínhamos dinheiro em mãos para o caso de falhar.

A grande vantagem do cartão é permitir que você acompanhe seus gastos. Todos os dias conferíamos pela internet nosso saldo, observávamos se estávamos gastando demais ou se podíamos abrir mais a carteira hihihi

Também é possível sacar o dinheiro em caixas eletrônicos na moeda do país visitado. Não fizemos isso, mas era uma opção.

Para quem não quer andar com muito dinheiro no bolso – por questões de segurança – nem quer usar o cartão de crédito e ficar sujeito às oscilações do câmbio, é uma opção a considerar.

Ruas de Praga
Ruas de Praga

 

COMUNICAÇÃO EM PRAGA

As conversas, placas e menus (muitos em tcheco) parecem uma barreira a quem visita Praga. Sabe aquela sensação de “Nossa, me sinto analfabeto ou está tudo escrito em javanês?”..pois é rsrs Mas não são. A população local nos pareceu muito receptiva e, mesmo os que não falavam inglês se esforçavam para se fazer entendidos. Em resumo: dá para se virar muito bem na cidade.

Com tanta facilidade, batemos muita perna. Um ponto que não visitamos foi o bairro (e o cemitério) Judeu..lugar imperdível, segundo me disse o jornalista Zé Paulo Kupfer…mas que serve de deixa para voltarmos lá..

KUTNÁ HORA – UM CAPÍTULO A PARTE

Ficamos quatro noites em Praga. O suficiente, acho, para ver os pontos mais importantes. No quarto dia fomos de trem até Kutná Hora, também na República Tcheca.  A cidade é pequena e está – de trem – a cerca de uma hora de Praga. É famosa por abrigar uma capela decorada com ossos humanos. Meio macabra, eu achei. E intrigante.

Compramos os bilhetes para ir até na estação de trem, em Praga. Custaram cerca de 320 Coroas, ida e volta, para duas pessoas. Achamos muito barato.

Logo na chegada, na estação, há um posto de informações turísticas. Uma senhora muito simpática nos atendeu e indicou um outro posto em que poderíamos comprar ingressos para as principais atrações e também conseguir um mapa gratuito da cidade. Fomos a pé até esse outro posto,  quase vizinho à igreja de Nossa senhora de Assunção e à capela de ossos – ou Ossuário de Sedlec, como é mais conhecida.

Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Kutná Hora
Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Kutná Hora

A capela de Ossos estava muito fria…podíamos ver a “fumaça” saindo de nossas bocas.  Dentro da capela recebemos um guia escrito em várias línguas, inclusive em português, que deve ser devolvido ao final da visita. Também há opção deáudio guia.

Capela de Ossos ou ossuário
Capela de Ossos ou ossuário
Capela de Ossos
Capela de Ossos
Capela de Ossos
Capela de Ossos

Em resumo, a capela – como Ossuário – “nasceu” na época da Peste Negra. O número de mortos era crescente na região e faltava espaço para enterrá-los. Aí decidiram  desenterrar parte dos mortos para enterrar novos cadáveres. Os ossos que foram desenterrados passaram então a ser empilhados, como peças de decoração mesmo, dentro da capela. Uma solução inovadora, digamos =S

Bom, saímos da capela e fomos pegar um ônibus até o centro da cidade. A espera foi longa, já passava do meio dia, então acabamos nem aproveitando muito depois. Descemos no centro, fomos almoçar em um restaurante que oferecia várias comidas típicas no cardápio. Deliciosas e baratas. Em seguida, fomos dar uma volta e só conseguimos ver de fora a lindíssima Catedral de Santa Bárbara.

Catedral de Santa Bárbara, em Kutná Hora
Catedral de Santa Bárbara, em Kutná Hora

Hora de voltar para Praga. Pegamos o ônibus para a estação de trem. Já  estava escuro. A estação deserta. A cidade parecia fantasma. Medo. Para piorar, vimos um homem mancando, com uma muleta. Ele desapareceu em meio a vagões aparentemente desativados. E começamos a ouvir o som dos passos, e da muleta, caminhando em nossa direção..cada vez mais próximos.

Na estação de trem de Hutná Hora, depois de bater perna pela cidade
Na estação de trem de Hutná Hora, depois de bater perna pela cidade
Estação de trem deserta
Estação de trem deserta

uhhhhhhhhhhhhhhhh

A história que me veio à cabeça? Aquele era um assassino. Os ossos que vimos na capela eram de turistas. E nós seríamos as próximas vítimas.

Para nosso alívio, um casal de japoneses que encontramos coincidentemente quando estávamos na cidade chegou à estação e ficou esperando conosco. Ufa!

Nosso trem chegou minutos depois. Uma hora de viagem e estávamos novamente em Praga. Sãos e salvos kkkkkkkkkkkkkk

No dia seguinte, ainda conseguimos fazer umas comprinhas perto do hotel. Arrumamos as malas e partimos de táxi para o aeroporto. No caminho vimos muita neve. A cidade estava cada vez mais fria. Era o início do inverno mais rigoroso, que matou centenas ou milhares em território europeu este ano.

A despeito do frio, nossa pequena jornada na República Tcheca, incluindo Kutná Hora, foi maravilhosa.

P.S. A distância de Paris até Praga, por terra, é enorme. A viagem, entretanto, é maravilhosa. Temi ficar entediada, cansada, mas com algumas paradas deu tudo certo e ainda pudemos ver alguns vestígios de neve, pela primeira vez, no caminho.  A temperatura na cidade, em janeiro, fica abaixo de zero. E nos impulsiona a acordar de madrugada para ver se tem neve caindo pela janela. E tem, viu? É uma “lindeza só” =P

No ônibus, rumo à Praga
No ônibus, rumo à Praga
Grupo da Excursão
Grupo da Excursão

Até a próxima!


Comentários

  • Ótimo post!! Estou indo para o meu segundo mochilão agora em abril e praga é a ultima cidade do meu roteiro… Estou encantado com tudo que leio sobre a cidade e contando os dias para embarcar 😀

    • Oi Robson,

      Este post foi enviado pela Renata. Eu também irei conhecer a cidade este ano e também acredito que seja encantadora, mas uma coisa já me garantiro: Praga tem a cerveja mais barata da Europa! Já é um ótimo motivo para conhecer a cidade! 🙂

  • Alice

    Olá, em qual mês vocês visitaram Praga? Vou passar 3 dias no início de abril… será que ainda faz muito frio nessa época??

    • Olá Alice, a Renata que escreveu o post esteve em Praga em janeiro. No início de abril, a mínima média é de 2° e a máxima média de 10°. Dá para sobreviver! 🙂

      Abs,

      Karla Larissa