“O Vagamundo” lança o livro O Pequeno Homem das Montanhas

livroO jornalista e professor, Antonino Condorelli, que assinou por algum tempo a coluna “O Vagamundo” no Compartilhe Viagens está lançando o livro  “O Pequeno Homem das Montanhas”, pela editora Fortunella Casa Editrice. O livro, que traz alguns textos publicados aqui no blog (que chic!)  é um ensaio sobre a relação do homem com a natureza e o diálogo entre saberes científicos e saberes da tradição com base no livro Dersu Uzala, do explorador russo Vladimir Arseniev, publicado em 1923, e no filme homônimo que Akira Kurosawa dirigiu em 1975.

A partir da narrativa literária de Arseniev e da cinematográfica de Kurosawa, Antonino Condorelli se interroga sobre a questão crucial das relações entre humanos e não humanos. Extremamente bem fundamentado, o ensaio aborda ecologia, semiótica e arte.

O explorador, cartógrafo e escritor Vladimir Arseniev percorreu a taiga da região siberiana do Uçuri ao longo de mais de vinte anos de expedições. Numa delas, em 1902, conheceu o caçador nômade Dersu Uzala. Nasceu entre os dois uma profunda amizade, que o escritor reconstruiu no livro Dersu Uzala, no qual se baseia o filme de Akira Kurosawa.

A personalidade, a sensibilidade, a maneira de se relacionar com todos os seres vivos e não vivos, a visão de mundo do caçador marcaram para sempre o explorador, que reconstruiu suas viagens junto a Dersu Uzala em seu livro publicado em 1923. A obra teve um enorme sucesso em seu país natal e, ao longo de pouco menos de um século, foi traduzido em diversos idiomas. Em 1961 foi realizada a sua primeira versão cinematográfica, hoje esquecida, pelo diretor soviético Agasi Babayan. Em 1975, o diretor japonês Akira Kurosawa realizou um longa diretamente inspirado no livro. Em pouco tempo, o filme se tornou um clássico do cinema e emocionou milhões de pessoas em diversos países. Continuar lendo “O Vagamundo” lança o livro O Pequeno Homem das Montanhas


Hoje é dia de comemorar 1 ano do Compartilhe Viagens

Parece que foi ontem, mas hoje o Compartilhe Viagens completa seu 1º ano. Bem que as mães dizem que os filhos crescem rápido! Sim, porque para mim, o CV é um filho e muito querido.

E festeira como eu sou, se pudesse daria uma festa de arromba, como diria minha mãe, e convidaria todos vocês: leitores, viajantes colaboradores e amigos que fiz ao longo desse um ano.

Já disse aqui, mais de uma vez, que o blog surgiu despretensiosamente como uma atividade da minha pós graduação em Mídias Sociais, que irei concluir em breve, mas que logo se tornou uma das minhas atividades mais prazerosas. Perdi as contas de quantas vezes fui dormir de madrugada para postar alguma coisa aqui.

Mas o retorno veio e não quero medi-lo em cifras ou em números, mas em cada “obrigado (a) pelas dicas, irão ajudar muito na minha viagem!”  ou “nossa, que vontade de conhecer esse lugar!”, que recebi ao longo desses 12 meses. Sim! Isso, sim, vale a pena: saber que estamos dando a nossa pequena contribuição para que as pessoas viagem mais e melhor.

Ao longo desse 1 ano, minha vida também se transformou e devo muito disso ao blog. Quando comecei a escrever no CV, estava a poucos meses de fazer a minha primeira viagem internacional e agora estou a quase um mês de fazer a Volta ao Mundo!

O CV também me proporcionou fazer muitas amizades, a maioria delas, por enquanto estão no “plano virtual”, mas nem por isso, são menos verdadeiras, muito pelo contrário.

Bem, se eu começar a agradecer a todos aqui, a música do filme “Tubarão” vai começar a tocar, assim como no Oscar. Então, vou agradecer a todos em nome de duas pessoas: Fred Santos, que é meu marido, companheiro de viagens, fotógrafo, design e programador deste blog e a pessoa que mais aperreio para fazer o melhor para vocês e ao professor Antonino Condorelli, que também faz parte da família CV com a sua magnífica coluna O Vagamundo. Sem vocês, não sei o que seria deste blog!!

E para encerrar o discurso, antes que vocês peguem no sono, quero dizer que neste ano que vem pela frente, me dedicarei ainda mais ao blog e me empenharei para deixar vocês, cada dia, com mais vontade de viajar!! Porque viajar é um vício e, o melhor, daqueles que não tem cura e nos faz muito bem!

“Para viajar basta existir”, Fernando Pessoa.

PS: Mais tarde, divulgaremos o resultado do sorteio da t-shirt criativa da Marca com Brinde. E você tem até as 17h para participar. Clique aqui e participe.

 

 

 

 


Eu não me sinto italiano, mas por sorte ou infelizmente o sou

Antonino Condorelli
condor_76@hotmail.com
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Twitter: @el_condor76

A trilha sonora deste post é Io non mi sento italiano, de Giorgio Gaber. Ouça e assista:

Para o Grão-Duque Cosme I De’ Medici não era prudente deixar-se ver nas ruas de Florença em 1565. Após o golpe de estado de Cosme o Velho que, em 1434, tinha posto fim à República Florentina – embora mantendo formalmente suas instituições comunais – e transformado a cidade numa Signoria (monarquia hereditária) sob o controle da dinastia dos Medici[1], o representante de turno da família mandatária não era muito apreciado e a história ensinava que as ruas da cidade não eram um lugar seguro para seus governantes. A Conspiração dos Pazzi de 1478 contra Juliano e Lourenço De’ Medici, que tinha custado a vida do primeiro, estava – entre outros sangrentos episódios – lá para lembrá-lo. Como fazer, então, para mover-se com segurança e sem ser visto entre a sede do governo, o Palazzo Vecchio, e sua residência particular, o Palazzo Pitti? E para celebrar umas bodas seguras entre seu filho, Francisco, e Joana de Habsburgo, casamento que selaria uma importante aliança com a dinastia no poder na Áustria?

A solução lhe foi apresentada pelo arquiteto Giorgio Vasari, artista poliédrico – como a grande maioria de sua época, não dominada pela hiper-especialização contemporânea dos saberes e das habilidades – responsável pelo projeto da Galleria degli Uffizzi, pintor de várias obras nos salões do poder do Palazzo Vecchio e autor de Vidas dos Artistas, obra inaugural da história da arte ainda hoje seminal para o estudo da arte renascentista. Vasari concebeu e fez construir em apenas cinco meses um corredor sobrelevado que liga o Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti passando por dentro da Galleria degli Uffizzi, ladeando o Rio Arno, atravessando o Ponte Vecchio, contornando a Torre dei Mannelli – residência de outra família poderosa, que se recusou a deixá-la abater e se mudar para outro lugar – e passando por dentro da Igreja de Santa Felicita. Em homenagem ao seu criador, a obra ficou conhecida como Corredor Vasariano.

Hoje o Corredor Vasariano – cuja estrutura seria incapaz de suportar visitas diárias de milhares de pessoas, comuns nos museus e igrejas florentinas – fica a maior parte do tempo fechado, às vezes durante anos, muito raramente abrindo por curtos períodos para visitações agendadas.

Visual de Florença desde o Piazzale Michelangelo - 31 de dezembro de 2011
Visual de Florença desde o Piazzale Michelangelo – 31 de dezembro de 2011

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Blogagem coletiva: Retrospectiva com os 12 posts mais especiais de 2012

Olá viajantes!

O ano já está nos seus últimos dias e só tenho a agradecer. 2012 foi um ano muito especial e para mim, isso muito se deve ao Compartilhe Viagens. Fiz muitos amigos a partir do blog, que nasceu sem muitas pretensões, conheci outras realidades e tive um grato reconhecimento do trabalho que tenho feito com muito carinho. Aliás, como diria Confúcio “escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida” e O CV tem me ensinado que isto não é balela, mas é realmente possível.

Gostaria de agradecer imensamente a todos que colaboraram com este projeto, aos viajantes que me enviaram suas experiências, que para minha surpresa, foram muitos; ao mestre Antonino Condorelli, que tem cadeira cativa no blog, com sua coluna O Vagamundo, onde sempre publica seus belíssimos textos reflexivos; as empresas que apostaram no blog, como a Harabello Turismo, o Restaurante Caxangá Pipa, a Pousada Pedra Grande e o Taverna Pub. Por fim, quero agradecer a meu companheiro de vida e de viagens, que está por trás de tudo no CV, como analista de sistemas e fotógrafo nas horas vagas, Fred Santos.

Este post não é uma retrospectiva qualquer, faz parte da blogagem coletiva de fim de ano, da qual estão participando dezenas de blogs de viagens. Cada um escolheu os seus 12 posts mais especiais de 2012.

Para mim, a tarefa de escolher os melhores posts deste primeiro ano é ainda mais difícil, pois tudo foi muito especial. Como o Compartilhe Viagens não é escrito apenas por mim, resolvi dividir a seleção em seis posts de minha autoria e seis posts de viajantes colaboradores. Para não ser injusta escolhendo os melhores textos de colaboradores, pois todos foram muito importantes para o blog, vou colocar os que tiveram mais acessos e repercussão.

Os 6 posts mais especiais (escritos por Karla Larissa):

1-      Roteiro: Natal (RN) para turistas e natalenses: Escrever sobre minha cidade e com a ajuda do meu pai, Carlos Eduardo, que é guia de turismo em Natal há mais de 15 anos, foi muito especial. Mas melhor ainda, foi acompanhar a repercussão que o post teve, sendo o campeão de acessos e comentários do blog. E o seu desdobramento, que será o Rota 84 (www.rota84.com.br), um site filho do CV com conteúdo exclusivo de Natal e do Rio Grande do Norte que lançaremos em breve.

Noite de lua cheia em Natal. Foto: Canindé Soares
Noite de lua cheia em Natal. Foto: Canindé Soares

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Encontros

A trilha sonora deste post é Encontros e Despedidas, de Milton Nascimento. Ouça e assista:

Toda jornada é um movimento em direção ao outro: o encontro é conatural ao viajar. O encontro com outras pessoas, com outras culturas, com outros ambientes, com outras paisagens: enfim, o encontro com a alteridade. Uma alteridade que pode apenas nos confirmar, fortalecendo por meio da afirmação de nossa (aparente) diferença nossas certezas, hábitos, conceitos e comportamentos, mas que pode também pôr-nos em jogo, provocar-nos, instigar-nos a sair (pelo menos em parte) de nossos reflexos, nossas maneiras usuais de ser, de pensar e de agir, enriquecendo nossa humanidade.

Esse abalo criativo só acontece, porém, quando ao deslocar-nos para outros lugares adotamos um espírito viajante, uma atitude de abertura receptiva para o mundo à nossa volta; quando suspendemos temporariamente (ou ao menos tentamos suspender) nossos julgamentos, nossos pressupostos (os dos quais temos consciência), nossas tendências – aparentemente espontâneas, mas que na verdade são um produto em constante (re)construção de nossa biografia e nossa interações – sensoriais, perceptivas, cognitivas e comportamentais.

Viajar é sempre uma oportunidade para encontros transformadores
Viajar é sempre uma oportunidade para encontros transformadores

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O Vagamundo: Os últimos confins da Terra

Antonino Condorelli
condor_76@hotmail.com
Twitter: @el_condor76
Facebook: Antonino Condorelli

A trilha sonora deste post é El Hombre y la Tierra de Geronación. Ouça e assista:
http://www.youtube.com/watch?v=haPgqL6Ff24

El hombre es tierra que anda (Provérbio Inca)

Um dia, de repente, me senti muito mais do que um habitante da Terra… A senti pulsar em minhas veias, vibrar em minha pele, dançar em meu corpo; a senti impregnada em cada uma das minhas células, esculpida em cada dobra da minha psique. Me senti Terra que pensa, que sente, que ama, que chora, que ri, que edifica e destrói. Por alguns fugazes instantes deixei de me perceber como um hóspede, um viajante, um corpo estranho projetado pelo acaso na superfície deste planeta… Naquele relâmpago epifânico, me experienciei como um filho da Terra que jamais cortou seu cordão umbilical, apesar de nunca tê-lo percebido; me senti uma célula, uma parcela indissociável de um gigantesco corpo vivo, um irmão das rochas, das árvores, das nuvens, dos rios, os lagos e os oceanos; me senti inseparável do vento, da chuva, das folhas, dos vulcões e das geleiras… Naqueles instantes, que não lembro mais se duraram segundos ou minutos, tive um vislumbre simultaneamente corporal e psíquico, racional e emotivo duma experiência que alguns cientistas contemporâneos descrevem com a sugestiva imagem de Géia, deusa grega que encarna a Mãe-Terra, e que povoa o universo mítico de muitos povos como arquétipo da Grande-Mãe, Deusa-Mãe, Pacha Mama, etc. Continuar lendo O Vagamundo: Os últimos confins da Terra


O Vagamundo: Um plácido fim de tarde ao som das ondas

Antonino Condorelli                                                                   condor_76@hotmail.com                                                                           Twitter:@el_condor76                                                                                        Facebook: Antonino Condorelli

A trilha sonora deste post é Cabo Verde Manda Mantenha – Letra, música e interpretação: Cesária Évora. Ouça e assista:

Poucas experiências sacodem nossos conceitos como a de viajar. Viajando ultrapassamos fronteiras, não apenas geográficas: uma viagem nos leva além das erguidas pelo nosso pensamento… e nos estimula a redesenhá-las. Nunca cheguei de uma viagem igual a como tinha partido.

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O Vagamundo: No fim da viagem está o horizonte

Olá viajantes! 

Hoje já estou no Velho Continente, mas como disse, não esqueci de vocês. E como em toda segunda terça-feira do mês, hoje é dia da coluna O Vagamundo por Antonino Condorelli. 

Na crônica deste segundo post de O Vagamundo, Condorelli conta sobre um episódio na Cuba de 1997, onde pela primeira vez sentiu o medo da morte de perto. 

As fotos, Antonino explica que foram feitas em câmera analógica e devem estar em algum baú empoeirado na casa de seus pais em Florença, na Itália. Conseguimos pelo menos uma. 

Façam uma incrível viagem!

Leia o segundo post de “O VAGAMUNDO”: No fim da viagem está o horizonte”.