Pedalar é uma ótima maneira de conhecer os arredores de San Pedro de Atacama, sem estar preso aos horários dos tours e sem gastar muito. A maioria das pousadas, hostels e agências da cidade dispõe de aluguel de bicicleta e os preços variam de um lugar para o outro e do tipo da bike e acessórios. Pedalando é possível se deslocar melhor dentro da cidade e também conhecer algumas atrações que ficam nos arredores como o Valle de la Muerte, Valle de la Luna e a Pukará de Quitor. Nós fizemos isso no nosso primeiro dia no Atacama e tivemos um cachorro como nosso guia. =) Apesar de cansativo, foi um dia incrível, com paisagens impressionantes em nosso caminho.

Alugamos as nossas bicicletas na Casa Sorbac, onde estávamos hospedados. Como a casa fica próximo da Pukará de Quitor, fomos direto para lá. Para chegar lá, tivemos que atravessar um riachinho. Por isso, é bom está de sapato impermeável ou não se molhar.  

Fred e Julie atravessando o riacho para chegar na Pukará de Quitor
Fred e Julie atravessando o riacho para chegar na Pukará de Quitor

A Pukará é um sítio arqueológico pré-colombiano, que tinha a função de forte. Na língua quéchua, Pukara significa fortaleza. Nós viámos a Pukará da Casa Sorbac. A mesa do café da manhã fica bem de frente a ela e a vista é muito bonita. Mas acabamos não entrando na Pukará, pois deixamos para depois e acabamos não indo. Então, se puder, vá logo no começo da pedalada. A Pukará está aberta das 08h às 19h e a entrada custa $ 3.000 CLP por pessoa.

Ruta 23, trecho entre os Valles de la Luna e de la Muerte
Ruta 23, trecho entre os Valles de la Luna e de la Muerte

Perto da Pukará de Quitor fica a Garganta del Diablo, que fica no Vale de Catarpe. Normalmente, as agências que oferecem tour de bike, fazem esses dois lugares juntos. Mas como estávamos fazendo tudo por conta própria, seguimos por outro caminho, resolvemos ir seguindo a Ruta-23 e ir vendo os mirantes para o Valle de la Luna e de La Muerte, que eu e Fred já havíamos conhecido em um passeio na primeira vez que estivemos no Atacama, em 2015 .

Com Joseph, nosso guia cachorro! =)
Com Joseph, nosso guia cachorro! =)

Logo que começamos a seguir a Ruta, na altura do Valle de la Muerte, um cachorro (são muuuitos no Atacama) começou a nos seguir e nos guiou por todo caminho. Ele sempre nos mostrava onde tinha um mirante legal para pararmos. Batizamos ele de Joseph, um vira-latas com um olho azul lindo.

Vale dos Dinossauros
Vale dos Dinossauros

Seguimos com Joseph pela Ruta 23, passando pelo Vale dos Dinossauros (uma pequena cordilheira que tem esse nome porque parece as costas de alguns tipos de dinossauros que tinham placas nas costas). O trecho é tooodo de subida e estava ventando muito. Para mim, que ando de bicicleta uma vez na vida e que sou magricela, foi bem puxado. Mas para quem é acostumado a pedalar (como Julie), não deve ter dificuldades. Atenção e muito cuidado com os carros e ônibus, pois essa é a estrada principal que leva de Calama a San Pedro de Atacama.

Vista para o Valle de la Luna
Vista para o Valle de la Luna

E vá preparado para o frio e calor, ao mesmo tempo. Pois com um tempo de pedalada, você começa a sentir calor e quer tirar os casacos todos. Por isso, o ideal é ir com um casaco corta-vento mais leve.

A medida que você vai subindo a estrada, a paisagem vai ficando mais bonita, pois é possível ver o Valle de la Luna, o Valle de la Muerte. Os “mirantes” são quase todos gratuitos e não tem ninguém fiscalizando. Apenas no Mirador de Kari (onde fica a Pedra do Coyote), onde as agências, normalmente, fazem parada é que é cobrada a mesma taxa de entrada do Valle de la Luna, que é de $ 3.000 CLP. Nós decidimos não pagar, pois não iríamos visitar o valle novamente e a paisagem ali não era muito diferente da que já estávamos vendo.

Valle de la Muerte
Valle de la Muerte

Mas para quem não visitou, o Valle de la Luna, recomendo fazer a visita em outro dia, antes ou depois do passeio de bike. Como a entrada do Valle de la Luna fica bem mais distante de San Pedro de Atacama (12 km) do que o Valle de la Muerte (3 km), ir de bike até lá é bem mais difícil. Então, você tem a opção de fazer esse passeio com alguma agência.

Joseph fazendo self com a gente
Joseph fazendo self com a gente

O Valle de La Luna é considerado o lugar mais inóspito da Terra, sem presença de vida animal e vegetal. O vale faz parte da Cordillera de la Sal e seu nome deve-se à formação semelhante à superfície lunar, causada por estratificações de sal. Isso branquinho que você vê nas fotos não é neve, é sal. =)

Em um dos mirantes com Julie e Joseph
Em um dos mirantes com Julie e Joseph

Continuamos pela estrada até antes de começar a descida e, depois retornamos pelo mesmo caminho. Para quem quiser visitar o Valle de la Muerte, a entrada é de $ 3.00 CLP. 

O Valle de la Muerte tem umas dunas bem altas, onde algumas agências, como a Sorbac, fazem passeio de sandboard.

Joseph posando para a foto
Joseph posando para a foto

Nós também não entramos no Valle, pois como disse, já conhecíamos, e estávamos com fome! kkk Começamos a pedalar às 11h e já eram quase 16h. De lá, seguimos para San Pedro de Atacama para um almoço reforçado. Joseph nos seguiu até a entrada da cidade. Depois viu outro ciclista, seguindo na direção dos valles e começou a seguí-lo. =)

Nós três em San Pedro do Atacama, após o passeio
Nós três em San Pedro do Atacama, após o passeio

O nosso dia terminou com mais uma pedalada do centro de San Pedro até a Casa Sorbac, que fica a menos de 3km do centro da cidade. Fizemos ao todo  quase 20km (porque, depois, aproveitamos para ir na rodoviária comprar as passagens de ônibus para a Argentina).  O caminho até Casa é muito bonito (apesar de termos nos perdido algumas vezes! haha) e à noite, viámos o céu completamente preenchido por estrelas.

Paisagem próximo a Casa Sorbac
Paisagem próximo a Casa Sorbac

Algumas recomendações:

– Faça o passeio de bike, acompanhado de outra pessoa. Evite ir sozinho. Se não tiver companhia, procure uma agência que oferece o passeio. A Sorbac tem vários tours de bike: http://www.sorbac.cl/aventuras.html;

– Use capacete de ciclista e leve corrente, em caso de ter que estacionar a bicicleta;

– Como disse vá preparado para o frio e calor, pois as temperaturas variam muito no deserto. Leve casaco corta vento, vá de calça, sapato fechado (tênis ou bota), use protetor solar e óculos de sol;

– Leve uma mochila, com bastante água e um lanchinho para comer no caminho;

– Se for fazer o passeio por conta própria, avise no local onde esta hospedado aonde você planeja ir. Nunca se sabe o que pode acontecer e você vai gostar de ficar perdido em um deserto.

– Se algum cachorro lhe seguir, ofereça a ele água e comida. Joseph não quis a nossa porque só tínhamos frutas, mas foi comendo pequenos animais mortos pelo caminho! kkkk

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