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Alta Montanha: passeio pela Cordilheira dos Andes, partindo de Mendoza

De junho a agosto é tempo de neve na América do Sul. Aproveitei que tinha passagens compradas para Buenos Aires em julho e dei uma esticadinha até Mendoza, em um pouco mais que 14 horas de viagem de ônibus! Mas o esforço e os pés inchados valeram muito, pois Mendoza é uma cidade linda com muitos atrativos. Para quem está em busca de neve, no entorno da cidade há algumas estações de esqui, mas um passeio imperdível no qual é possível ver a neve (no inverno), belas paisagens e conhecer um pouco da história andina é o da Alta Montanha, tour de um dia inteiro pelas Cordilheiras dos Andes até a divisa com o Chile.

Em Mendoza é bem fácil contratar o tour, o que também pode ser feito com antecedência pela internet. Contratamos o nosso no hostel e saiu por 39 dólares por pessoa (preço de julho de 2014).  O passeio vai das 7h às 19h. Vá bastante agasalhado, especialmente no inverno. 

A primeira parada é feita antes de entrar nas Cordilheiras, para se ter uma ideia da dimensão da cadeia de montanhas. O dia ainda não havia amanhecido, o sol só surgia depois das 8h, as cores do céu estavam lindas e o vento congelante (levem luvas!!).

Apresento-lhes: a Cordilheira dos Andes

A partir daí começamos a subir as montanhas e a cada curva, uma paisagem ainda mais bonita, mas até então, nada de neve. A parada seguinte foi no Dique Potrerillos, reservatório que abastece toda região. Mendoza é, na verdade, uma região desértica e toda a água consumida na região vem do gelo derretido das montanhas. Em anos de pouca neve, como este, o abastecimento de água fica em estado crítico.

Dique Potrerillos

No vilarejo de Uspallata é feita uma parada para aluguel de roupas de neve, esquibundas, tobogãs. Leve uma reserva de dinheiro, que pode ser em pesos ou dólares para o aluguel das roupas, que sai em média de 25 dólares por pessoa, mas o preço é cobrado por peças. A cidade é bem charmosinha e quem faz o passeio por conta própria, em carro, pode aproveitar  um pouco mais.

Com roupas próprias para a neve, seguimos para a estação de esqui Los Penitentes. Como havia pouca neve, a estação estava fechada para esqui. Lá, pegamos um teleférico (10 dólares por pessoa) até o alto da montanha, onde finalmente, tivemos o primeiro contato com a neve. Sim, aquela foi a primeira vez que vi neve e a gente fica igual a criança!

Teleféricos de Los Penitentes
Primeira vez na neve, a gente não esquece

Depois da visita a estação de esqui, seguimos para uma área com mais neve para brincar de esquibunda ou tobogã.

Local de parada para brincar com esquibunda ou tobogã
Hora do mico: descendo de esquibunda!
Fazendo meu Olaf

Depois da brincadeira, o passeio segue para o seu ponto literalmente alto, a vista para o Aconcágua, o ponto mais alto das Américas. As várias paradas são também estratégicas para irmos nos acostumando com a altitude.

Segundo a Wikipedia, o monte Aconcágua possui 6.960 metros de altitude e é simultaneamente o ponto mais alto das Américas e de todo o Hemisfério Sul. Seria a montanha mais alto do mundo se não houvesse a cordilheira do Himalaia.

 

É claro que nós não chegamos nem perto do topo do Aconcágua, mas do ponto onde paramos a vários quilômetros de distância do monte dava para ver o topo e ter ideia da grandiosidade da montanha.

Do meu lado direito na foto, o topo do Aconcágua

O Aconcágua já fica bem próximo para a divisa do Chile, mas pertence a província de Mendoza, o que é motivo de muito orgulho para os argentinos. O último vilarejo do lado argentino é o Las Cuevas, que possui apenas 12 habitantes. Foi lá onde almoçamos. Em Las Cuevas fica o Cristo Redentor, monumento localizado a 4.200 metros de altitude, na fronteira com o Chile, que simboliza a fraternidade entre os dois países. O monumento, no entanto, só está acessível durante o verão.

Las Cuevas: vilarejo argentino na divisa com o Chile
Las Cuevas

No caminho de volta para Mendoza, fazemos a última parada e uma das mais importantes do passeio:a Puente del Inca, uma ponte natural de formação rochosa sobre o rio Vacas, um afluente do rio Mendoza. Segundo o que alguns cientistas acreditam, a ponte teria se formado com a interação entre o gelo e fontes de águas termais. A ponte recebeu, em 1835, a visita de Charles Darwin.

No século passado, no local foi construído um hotel e spa que pretendia usar as  fontes termais para curar algumas doenças. Mas uma avalanche acabou destruindo o hotel. Apesar disso, a igreja e a ponte permaneceram intactas, bem como a estação de trem que levavam os turistas para o resort.

Os argentinos defendem que a Puente del Inca deveria ser uma das novas maravilhas naturais do Mundo.

Puente del Inca
Minha companheira nesta viagem: Fátima Elena, para quem vão os créditos das minhas fotos neste post.
A antiga estação de trem

 

Barraquinhas de artesanatos ao redor da Puente del Inca

O passeio da Alta Montanha rendeu um dia mágico e inesquecível, por isso, recomendo muitíssimo! 🙂