Dois anos após a nossa primeira viagem ao Chile, voltamos para fazer as pazes. Isso porque, em abril de 2015, quando viajamos pelo Norte do país, pegamos uma semana inteira de fortes chuvas, a ponto de o governo decretar estado de calamidade na região. Desta vez, queríamos aproveitar o máximo, mas levando em considerando o clima da época (maio), por isso, adiamos o sonho de conhecer a Patagônia e planejamos nossos 20 dias entre Santiago e arredores, Lagos Andinos, Isla de Chiloé e Atacama. Por sorte, a primeira impressão não ficou e saímos do Chile enamorados pelo país.

Nosso roteiro

Santiago e arredores (6 dias)

Parque de Las Esculturas, Santiago
Parque de Las Esculturas, Santiago

Desde a nossa lua de mel, há 7 anos, sonhávamos em conhecer Santiago. Mas, por obra do acaso, tivemos que adiar várias tentativas de viagem para a capital chilena. Dessa vez, deu certo. E já me apaixonei, antes mesmo de aterrissar, com a vista incrível da Cordilheira dos Andes que se tem do avião ao se aproximar da cidade.

Ficamos 6 dias e dividimos nosso roteiro em 4 dias visitando a cidade, com esticadinha até a vinícola de Concha y Toro, 1 dia para o bate-volta em Valparaíso e Viña del Mar, que fizemos por conta própria e 1 dia de passeio com agência ao Valle Nevado, que não estava em temporada de esqui, mas abriu com um mês de antecedência, poucos dias depois de deixarmos o Chile. =( Mas mesmo fora da temporada, vale o passeio.

Valle Nevado
Valle Nevado

Nos hospedamos, por 6 dias, em um quarto privado em um apartamento na Providência, muito bem localizado entre as estações Salvador e Baquedano e pertinho do bairro Bella Vista, o que facilitou muito para conhecermos a cidade durante o dia e aproveitar à noite com tranquilidade. Fizemos tudo de metrô e caminhando.

Principais atrações: Depois irei detalhar nosso roteiro em Santiago, mas visitamos o centro histórico (Catedral, Plaza de Armas, Museu Histórico Nacional, Palácio La Moneda, Igreja São Francisco, Bairro Paris-Londres, Cerro Santa Lúcia), Bairro Bella Vista, a La Chascona (casa de Pablo Neruda), Cerro San Cristóbal, Parque de Las Esculturas, Costanera Center, Parque Quinta Normal, Museu dos Direitos Humanos.

Como disse, também fizemos a visita a vinícola Concha y Toro, o bate-volta a Valparaíso e Viña del Mar e o passeio panorâmico ao Valle Nevado.

Quanto custa:

– Os valores das hospedagens podem ser vistos clicando nos links (nos nomes de cada uma), colocando a data desejada.

– Ônibus do aeroporto para o centro: $ 1.700

– A tarifa do metrô de Santiago varia de acordo com o horário, pode ser bajo ($610), valle ($660) e punta ($740).

– La Chascona (casa de Neruda em Santiago): $ 14.000

– Concha y Toro: $ 12.000

– Passeio Valle Nevado (baixa temporada): $ 22.000

– Ônibus para Valparaíso: $ 3.300

– La Sebastiana (casa de Neruda em Valparaíso): $ 14.000

– O preço das refeições em Santiago varia muito de acordo com o bairro e  restaurante, o menu mais barato que encontramos foi em torno de $3.500, mas chegamos a pagar, mas em geral, saía bem mais caro nos restaurantes mais famosinhos (entre $ 10.000 a $20.000 para cada, incluindo bebida). E, claro dá para economizar muito mais se for fazer compras no supermercado.

Preços de maio de 2017, em pesos chilenos (CLP).

Leia também o post com o nosso roteiro completo em Santiago:

Dicas práticas e roteiro de 4 a 6 dias em Santiago do Chile

Pucón, Região dos Lagos e Isla de Chiloé (10 dias)

Pucón (3 noites, 2 dias)

Vulcão Villarrica, em Pucón, visto do hostel French Andes
Vulcão Villarrica, em Pucón, visto do hostel French Andes

Depois dos seis dias em Santiago e arredores, alugamos um carro para viajar por 10 dias por Pucón, região dos Lagos e a Isla de Chiloé (que, pela divisão política-administrativa, também compõe a região dos Lagos).

Alugamos o carro mais barato da locadora e o batizamos de “Peor es Nada” (depois conto a história! kkkk), que encarou mais de 3 mil km de viagem, subiu até a base de dois vulcões e chegou a fazer 20km com 1 litro! Isso é que é um carro! =) As estradas do Chile são muito boas, mas isso tem um preço, que são o de muitos pedágios. Fizemos quase todo esse trajeto pela Ruta 5.

Julie, Fred e eu no "Peor es Nada", nosso carro, de frente ao vulcão Villarrica
Julie (Worldlust, Share Journeys), Fred e eu no “Peor es Nada”, nosso carro, de frente ao vulcão Villarrica

No primeiro dia, tiramos para dirigir de Santiago direto até Pucón, que são 785km. Foi cansativo, mas foi melhor para chegarmos logo ao nosso destino de interesse. Uma ideia também é aproveitar o primeiro dia para fazer uma parada no Cajón del Maipo. Essa era minha ideia inicial, mas acabei deixando para o último dia e no final não deu tempo. O que foi uma pena, porque depois vi fotos de lá que estava coberto de neve, muito lindo.

Apesar de estar cercada de lagos, administrativamente, Pucón faz parte da região de Araucanía. Bem, lá ficamos 3 noites, 2 dias completos, que foram suficientes para conhecer o imperdível, mas a cidade tem opções suficientes para até mais que cinco dias. Devido ao mau tempo, não conseguimos, por exemplo, subir o vulcão Villarica.

Em Pucón, nos hospedamos no Hostal French Andes, que é muito bom. Na última noite, tivemos que mudar de quarto e ficamos em um quarto maravilhoso, enorme, com vista para o vulcão, banheiro e até cozinha privativa.

Principais atrações: Como falei, tem muito o que fazer em Pucón, o Vulcão Villarica é, claro, a principal atração que você pode escolher entre escalar ou ir até a base, onde fica a estação de esqui e dá para chegar de carro. Um dos meus passeios favoritos em Pucón foi a trilha no Parque Nacional Huerquehue, também as praias dos lagos Villarica, Caburgua, Collico e Tinquilca. No entorno tem ainda várias nascentes, pequenas cachoeiras e para relaxar, há várias termais.

Isla de Chiloé (4 noites, 3 dias)

Palafitas coloridas da Isla de Chiloé
Palafitas coloridas da Isla de Chiloé

Depois de Pucón, seria mais próximo seguir para Puerto Varas, mas preferimos descer até Isla de Chiloé para ficar mais tranquilo na volta para Santiago. De Pucón a Castro, em Chiloé são 505km, incluindo o trecho de ferry.

Chiloé foi uma grata surpresa na nossa viagem do Chile. Fiquei encantada com a ilha, que me lembrou muito da Irlanda, com muito verde, ovelhinhas, casinhas fofas.

Isla Aucar, Chiloé
Isla Aucar, Chiloé

Ficamos 4 noites em Chiloé, hospedados no La Minga Hostel, que é da brasileira e também blogueira do O Melhor Mês do Ano, Camila Lisboa. O La Minga tem opções de quartos compartilhados e também privativo para casal. O hostel funciona em uma típica casa chilota (de madeira), muito charmosa, mas como funciona a menos de um ano, tem toda a estrutura novinha (camas, lockers, cozinha, sala de tv…) e a Camila nos fez sentir realmente em casa. O La Minga fica em Castro, que é a melhor opção de hospedagem em Chiloé, e está muito bem localizado, muito próximo da Plaza de Armas.

A Camila também nos deu dicas preciosas para aproveitarmos o melhor da ilha no tempo que tínhamos. Assim como Pucón, em Chiloé se pode ficar vários dias, mas deu para conhecer bastante coisa em 4 dias.

Principais atrações: Chiloé é conhecida por suas igrejas, construídas pelos jesuítas no século 18. São mais de 150 igrejas, construídas em madeiras em um estilo bem tradicional de Chiloé. Várias delas são declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Portanto, visitar as igrejas e as pequenas cidades e vilarejos, onde elas estão, são umas das principais atrações de Chiloé, que é na verdade um arquipélago e tem também ilhas onde, dependendo da época, é possível ver pinguins. Durante o trajeto de ferry também é possível ver leões marinhos e, dependendo da sorte, golfinhos e até baleias.

Puerto Varas (2 noites, 2 dias)

Cochamó, região dos Lagos
Cochamó, região dos Lagos
Frutillar
Frutillar

Para conhecer os lagos andinos, fizemos Puerto Varas de nossa base. Ficamos 2 noites, no também muito bom Margouya Patagonia Outdoor, que tem quartos compartilhados e privativos, fica bem localizado e tem espaços de uso comum muito bons.

Em Puerto Varas pegamos o tempo nublado e chuvoso, mas ainda assim pudemos fazer quase tudo que havíamos planejado.

Principais atrações: Visitamos o povoado Cochamó, que fica em um fiorde no Pacífico; fizemos um passeio de barco pelo Lago de Todos Los Santos, subimos o vulcão Osorno até a estação de esqui e demos quase toda a volta pelo Lago Llanquihue, passando por belas cidadezinhas, como Frutillar.

Valdívia (1 noite)

Como tínhamos que fazer uma longa viagem entre Puerto Varas e Santiago, que são mais de 1.000km, escolhemos dormir a última noite em Valdívia, que fica na região de Los Rios. Nos hospedamos no Airesbuenos Hostel y Permacultura, que também tem opções de compartilhados e quartos privados e tem uma proposta de hostel ecológico.

Principais atrações: Tivemos apenas uma manhã para passear pela cidade, que é bem bonita. Só tivemos tempo de passear pela Costanera, onde vimos leões marinhos, dar uma volta pela Plaza de la República e visitar o Jardim Botânico UACh. Mas a cidade tem ainda vários museus, mercado municipal e uma das atrações mais famosas é a Cerveceria Kunstmann.

Quanto custa:

– Os valores das hospedagens podem ser vistos clicando nos links (nos nomes de cada uma), colocando a data desejada.

– Aluguel do carro: pagamos 177.000 CLP para 10 diárias, que dividimos entre 3 pessoas.

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– Pagamos dezenas de pedágios, que custam entre, $700 a $ 2.500, cada.

– Entrada Parque Nacional Huerquehue: $ 2.500

– Gasolina: $ 750 por litro, em média

– Ferry para Isla de Chiloé: $ 12.200 pelo carro

– Não fizemos a escalada ao vulcão Villarrica, mas o passeio custa a partir de $ 75.000 por pessoa, com muita pechincha.

Preços de maio de 2017, em pesos chilenos (CLP).

Na volta da viagem de carro, passamos mais uma noite em Santiago e ficamos uma noite no Aji Hostel, também em quarto privado. O hostel também fica em Providência, também muito bem localizado e o nosso quarto era bem espaçoso e confortável, dentro dos padrões de hostel.

Também poderíamos pegar o voo para o Atacama, no aeroporto de Puerto Montt, mas o voo sairia mais caro e teria que fazer escala em Santiago, do mesmo jeito. Além disso, teríamos que pagar uma taxa de devolução do carro em outra cidade, que sairia quase o preço que pagamos no aluguel. Por isso, decidimos voltar para Santiago, mesmo tendo que dirigir mais de 10h em um dia.

Voamos de Santiago a Calama com a Sky Airline e mesmo comprando com poucos dias de antecedência, saiu mais barato do que de ônibus, que levaria praticamente 1 dia de viagem.

San Pedro de Atacama (4 noites, 4 dias)

Flutuando e congelando em uma das 7 Lagunas Escondidas, no Atacama
Flutuando e congelando em uma das 7 Lagunas Escondidas, no Atacama

Esta era nossa segunda vez no Atacama. A primeira foi na tal viagem que pegamos o que nos disseram ser a maior chuva dos últimos, isso no deserto que é considerado o mais árido do mundo. Desta vez, pegamos lindos dias de sol, mas muito frio e, no último dia, nos despedimos com neve (depois conto essa história)!

Em San Pedro nos hospedamos na Casa Sorbac, que fica a 4km do centrinho da cidade, em uma área muito bonita perto da Pukará de Quitor. A casa também tem quartos compartilhados e privados, mas funciona mais como um Bed and Breakfast. E toda a equipe é muito simpática e deixa todos muito à vontade. O café da manhã com a vista para Pukará de Quitor é maravilhoso e à noite com o céu completamente estrelado no deserto é incrível.

Yogando com Julie e Cris nas Lagunas Escondidas
Yogando com Julie e Cris nas Lagunas Escondidas

A Sorbac também funciona como agência com passeios mais focados em turismo de aventura, como sandboarding, montanhismo, acampamentos etc.

No primeiro dia, alugamos as bicicletas com eles e aproveitamos para pedalar pelo Valle de la Muerte, Pukará de Quitor e seguimos pela Ruta 23, parando nos mirantes do Valle de La Luna, que já havíamos conhecido da outra vez.

No Atacama, fizemos ainda dois passeios com a Ayllu Atacama, agência especializada em atender brasileiros. Fizemos o passeio das Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas, que belíssimo e é um “must to see” no Atacama.

E fizemos um dos passeios mais novos do Atacama, que é o Lagoas Escondidas, à convite da Ayullu com outros blogueiros (a Cris do Raízes do Mundo e o Guilherme do Quero Viajar Mais). Foi um dia a #caradaryqueza que depois irei contar com mais detalhes. Esse passeio também é muito bonito e inclui as 7 lagoas de Baltinache, que são lagoas com alta concentração de sal, onde é possível flutuar como no Mar Morto.

Principais atrações: O Atacama tem atrações suficientes para ficar até uns 15 dias. Tudo vai depender do seu tempo e orçamento. Além desses que citei, Valle de la Luna, Valle de La Muerte, Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas, Lagunas Escondidas, tem vários outros passeios que são muito procurados no Atacama, como Laguna Cejar, Geiser el Tatio, Salar de Tara, Termas de Puritama, escalada ao Vulcão Lascar, Valle del Arcoíris, tour astronômico, etc.

Quanto custa:

– Os valores das hospedagens podem ser vistos clicando nos links (nos nomes de cada uma), colocando a data desejada.

– Transfer aeroporto de Calama a San Pedro de Atacama: $ 20.000 ida e volta

– Aluguel das bicicletas: varia entre $ 4.000 a $ 15.000.

– Os valores dos passeios variam muito de acordo com as agências

– As entradas são pagas a parte do valor do passeio  

– O custo com alimentação também depende muito da escolha do restaurante, pois há muitas opções em San Pedro de Atacama

Preços de maio de 2017, em pesos chilenos (CLP).

Foram 20 dias maravilhosos no Chile, que nos deixaram com vontade de voltar para revisitar alguns desses lugares em outras épocas e ficar mais tempo e também conhecer outras regiões, como a Patagônia.

O Chile é um país muito organizado, com uma das melhores qualidades de vida da América do Sul, e oferece segurança e uma boa infraestrutura para viajar. É também um país de belas paisagens, com montanhas, vulcões, lagos, a belíssima Cordilheira dos Andes, mar, ilhas. Se não fosse o frio, não só faria as pazes, como me mudaria pra lá! hehe =)

Dicas extras:

* No Chile, nos mantivemos conectados com internet ilimitada do plano de dados da T-Mobile, com o chip enviado pela EasySim4u. Foi muito útil, principalmente, durante nossa viagem de carro, pois podíamos carregar bem os mapas, procurar restaurantes próximos e até fazer reservas de hospedagem de última hora. O legal da EasySim4u é que eles enviam o chip para o seu endereço no Brasil e você chega no país conectado. O plano de dados deles funciona em até 140 países e com o mesmo chip, nos mantivemos conectados ainda na Argentina e Paraguai.

Veja os planos deles aqui.

* O Chile não tem um sistema de saúde gratuito e o atendimento médico lá pode sair bem caro, portanto, é imprescindível fazer um seguro viagem para visitar o país.

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Comentários

  • Murilo Pagani

    Este roteiro de vocês ficou irado!!!
    Adorei acompanhar a trip! E, certamente, vou usar as dicas quando for ao Chile!

    Aliás, preciso me organizar pra fazer uma trip por lá! Acredita que também conheço pouquíssimo!?

    Abraço,
    Murilo

    • Obrigada, Murilo! Confesso que fiquei muito frustrada com a nossa primeira vez no Chile, então, tínhamos que voltar. Dessa vez, voltei apaixonada e sabendo que irei mais vezes! =)

  • Que legal, estou planejando viagem ao Chile em setembro, mas só temos 10 dias para Santiago e Lagos Andinos aí, mas também queria ir para Chiloé, vou ter que ver aí o que conseguimos fazer! Abraços.

    • Oi, Fábio! Dez dias será meio corrido. Mas, talvez, dê pra fazer se vc voar de Santiago até Port Montt e alugar o carro lá. Mas aí teria que cortar Pucón, que é linda demais! Difícil decisão! Abs! =)